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Questão FC116641

Texto Naquele novo apartamento da rua Visconde de Pirajá pela primeira vez teria um escritório para trabalhar. Não era um cômodo muito grande, mas dava para armar ali a minha tenda

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2016

Texto

Naquele novo apartamento da rua Visconde de Pirajá pela primeira vez teria um escritório para trabalhar. Não era um cômodo muito grande, mas dava para armar ali a minha tenda de reflexões e leitura: uma escrivaninha, um sofá e os livros. Na parede da esquerda ficaria a grande e sonhada estante onde caberiam todos os meus livros.
Tratei de encomendá-la a seu Joaquim, um marceneiro que tinha oficina na rua Garcia D’Ávila com Barão da Torre.

O apartamento não ficava tão perto da oficina. Era quase em frente ao prédio onde morava Mário Pedrosa, entre a Farme de Amoedo e a antiga Montenegro, hoje Vinicius de Moraes. Estava ali havia uma semana e nem decorara ainda o número do prédio. Tanto que, quando seu Joaquim, ao preencher a nota de encomenda, perguntou-me onde seria entregue a estante, tive um momento de hesitação. Mas foi só um momento. Pensei rápido: “Se o prédio do Mário é 228, o meu, que fica quase em frente, deve ser 227”. Mas lembrei-me de que, ao ir ali pela primeira vez, observara que, apesar de ficar em frente ao do Mário, havia uma diferença na numeração.

― Visconde de Pirajá, 127 ― respondi, e seu Joaquim desenhou o endereço na nota.
― Tudo bem, seu Ferreira. Dentro de um mês estará lá sua estante.
― Um mês, seu Joaquim! Tudo isso? Veja se reduz esse prazo.
― A estante é grande, dá muito trabalho... Digamos, três semanas.

Ferreira Gullar. A estante. In: A estranha vida banal. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989 (com adaptações).

No que se refere aos sentidos do texto, julgue o próximo item.

O trecho “dá muito trabalho” constitui uma referência de seu Joaquim à confecção da estante, tarefa que, segundo ele, seria trabalhosa.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: A afirmativa está, de fato, CERTA. Vamos entender por que essa assertiva é correta de forma clara. No diálogo, há uma interação direta entre o narrador, identificado como seu Ferreira, e seu Joaquim, o marceneiro. A frase em questão, “dá muito trabalho”, aparece no contexto da conversa onde seu Joaquim explica o tempo que levará para produzir a estante. Ele afirma que a estante é grande e, portanto, sua confecção exige um esforço significativo.
Isso nos leva a concluir que sua afirmação é uma clara referência à complexidade da tarefa de montar a estante, indicando que o tamanho e a demanda do trabalho contribuíram para o prazo estipulado. Não há dúvida de que a expressão gera uma conexão direta com a atividade que o marceneiro está prestes a realizar, reforçando a ideia de que gerar o móvel demandará tempo e dedicação. Assim, fica evidente que a frase se relaciona, sem ambiguidade, à atividade de fabricar a estante.

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