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Questão FC116644

Naquele novo apartamento da rua Visconde de Pirajá pela primeira vez teria um escritório para trabalhar. Não era um cômodo muito grande, mas dava para armar ali a minha tenda de re

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2016

Naquele novo apartamento da rua Visconde de Pirajá pela primeira vez teria um escritório para trabalhar. Não era um cômodo muito grande, mas dava para armar ali a minha tenda de reflexões e leitura: uma escrivaninha, um sofá e os livros. Na parede da esquerda ficaria a grande e sonhada estante onde caberiam todos os meus livros.
Tratei de encomendá-la a seu Joaquim, um marceneiro que tinha oficina na rua Garcia D’Ávila com Barão da Torre.

O apartamento não ficava tão perto da oficina. Era quase em frente ao prédio onde morava Mário Pedrosa, entre a Farme de Amoedo e a antiga Montenegro, hoje Vinicius de Moraes. Estava ali havia uma semana e nem decorara ainda o número do prédio. Tanto que, quando seu Joaquim, ao preencher a nota de encomenda, perguntou-me onde seria entregue a estante, tive um momento de hesitação. Mas foi só um momento. Pensei rápido: “Se o prédio do Mário é 228, o meu, que fica quase em frente, deve ser 227”. Mas lembrei-me de que, ao ir ali pela primeira vez, observara que, apesar de ficar em frente ao do Mário, havia uma diferença na numeração.

― Visconde de Pirajá, 127 ― respondi, e seu Joaquim desenhou o endereço na nota.
― Tudo bem, seu Ferreira. Dentro de um mês estará lá sua estante.
― Um mês, seu Joaquim! Tudo isso? Veja se reduz esse prazo.
― A estante é grande, dá muito trabalho... Digamos, três semanas.

Ferreira Gullar. A estante. In: A estranha vida banal. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989 (com adaptações).

No que se refere aos sentidos do texto, julgue o próximo item.

O “momento de hesitação” vivido pelo narrador deveu-se ao medo de informar o endereço a um desconhecido.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A afirmação apresentada está INCORRETA. O "momento de hesitação" experimentado pelo narrador não é fruto de um receio em informar o endereço a um desconhecido, mas sim da sua falta de familiaridade com o local onde reside. No trecho, ele menciona: "Estava ali havia uma semana e nem decorara ainda o número do prédio". Essa frase deixa claro que a hesitação surge da sua inabilidade em recordar a numeração correta do prédio, e não de um medo de revelar essa informação a seu Joaquim. O narrador tenta rapidamente associar o número do seu apartamento ao de outro apartamento que observa, mas sua confusão sobre a numeração é o verdadeiro cerne da hesitação. Portanto, a limitação de memória sobre o novo endereço é o que o leva a hesitar, confirmando que o motivo da sua pausa é prático e não emocional.

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