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Questão FC116654

Ninguém escreveu um romance sobre um personagem cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos — uma das definiçõe

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2016

Texto para o item

Ninguém escreveu um romance sobre um personagem cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos — uma das definições que já foram dadas à saúde. Teoricamente, a higidez não tem voz. Para muitas pessoas, estar sadio é simplesmente, e ao contrário do que pretende a OMS, não estar doente. Mas será que isso é suficiente?

Para falar de saúde, precisamos aprender o idioma da saúde. Não é fácil. A própria palavra “saúde”, que usamos sobretudo para alguém que espirra, soa prosaica, convencional, babaca até. “É o mais tolo vocábulo em nosso idioma”, disse, com desprezo, o iconoclasta Oscar Wilde.

Mudar o jeito que falamos de saúde significa mudar o nosso estilo de vida. No começo, lutamos contra a inércia. Mas então vem aquilo que poderíamos chamar de “salto de qualidade” e passamos a um novo patamar de nossa existência. Passamos a dialogar com nosso corpo e, para nossa surpresa, descobrimos que esse é um diálogo gratificante. Sabem-no bem as pessoas que embarcam em um programa de exercício. A sensação de bem-estar que se tem depois é algo extraordinário. São as endorfinas? Bem, então são as endorfinas. Se o corpo se expressa através delas, tudo bem. Às vezes, a voz da saúde é a voz do corpo grato.

Moacir Scliar. O idioma da saúde. In: Almanaque Visa É, ano II, n.º 2. Brasília: Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2009, p. 7. Internet: (com adaptações).

No que se refere às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue o item seguinte.

O uso diário que as pessoas fazem da palavra “saúde” contribuiu para que ela perdesse seu valor semântico original, tornando-a uma palavra “tola”.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A assertiva apresentada está INCORRETA. A proposta de que o uso cotidiano da palavra "saúde" tenha causado uma perda em seu valor semântico é imprecisa. O texto menciona que a palavra "saúde" é percebida como prosaica e até mesmo "tola", mas isso se refere à sua aplicação na cultura popular e cotidiana, não à perda de seu significado intrínseco.
Ao afirmar que precisamos "aprender o idioma da saúde", o autor sugere que a verdadeira compreensão desse conceito exige maior profundidade e consideração, indicando que a palavra ainda possui um significado robusto, mas que pode ser obscurecido pela superficialidade do uso comum. Portanto, embora o termo possa aparecer trivializado, seu valor semântico original permanece intacto. Assim, a ideia de que virou uma palavra "tola" é uma crítica à banalização, e não uma indicação de que ela perdeu seu significado fundamental.

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