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Questão FC116655

Ninguém escreveu um romance sobre um personagem cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos — uma das definiçõe

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2016

Texto para o item

Ninguém escreveu um romance sobre um personagem cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos — uma das definições que já foram dadas à saúde. Teoricamente, a higidez não tem voz. Para muitas pessoas, estar sadio é simplesmente, e ao contrário do que pretende a OMS, não estar doente. Mas será que isso é suficiente?

Para falar de saúde, precisamos aprender o idioma da saúde. Não é fácil. A própria palavra “saúde”, que usamos sobretudo para alguém que espirra, soa prosaica, convencional, babaca até. “É o mais tolo vocábulo em nosso idioma”, disse, com desprezo, o iconoclasta Oscar Wilde.

Mudar o jeito que falamos de saúde significa mudar o nosso estilo de vida. No começo, lutamos contra a inércia. Mas então vem aquilo que poderíamos chamar de “salto de qualidade” e passamos a um novo patamar de nossa existência. Passamos a dialogar com nosso corpo e, para nossa surpresa, descobrimos que esse é um diálogo gratificante. Sabem-no bem as pessoas que embarcam em um programa de exercício. A sensação de bem-estar que se tem depois é algo extraordinário. São as endorfinas? Bem, então são as endorfinas. Se o corpo se expressa através delas, tudo bem. Às vezes, a voz da saúde é a voz do corpo grato.

Moacir Scliar. O idioma da saúde. In: Almanaque Visa É, ano II, n.º 2. Brasília: Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2009, p. 7. Internet: (com adaptações).

No que se refere às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue o item seguinte.

Existe uma discordância entre o que a crença popular e o que a literatura médica — personificada na OMS — definem como “estar sadio”.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A afirmativa está ERRADA. Embora o texto mencione uma dualidade entre a visão das pessoas comuns e a proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS), a afirmação de que existe uma discordância generalizada entre a crença popular e a literatura médica é uma simplificação. O texto afirma claramente que "muitas pessoas" encaram estar sadio apenas como a ausência de doenças, contrapondo-se à visão mais abrangente da OMS, que considera a saúde um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Contudo, essa discordância não pode ser extrapolada como se refletisse a opinião de toda a literatura médica, dado que a menção é específica à OMS e não inclui outros segmentos desse vasto campo. Portanto, a afirmação confunde um pensamento particular com uma generalização, o que compromete sua validade. Assim, a discordância é entre um grupo específico de pessoas e a OMS, e não entre a crença popular e toda a literatura médica. Portanto, a assertiva é incorreta.

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