Questão FC116656
Ninguém escreveu um romance sobre um personagem cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos — uma das definiçõe
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2016
Ninguém escreveu um romance sobre um personagem cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos — uma das definições que já foram dadas à saúde. Teoricamente, a higidez não tem voz. Para muitas pessoas, estar sadio é simplesmente, e ao contrário do que pretende a OMS, não estar doente. Mas será que isso é suficiente?
Para falar de saúde, precisamos aprender o idioma da saúde. Não é fácil. A própria palavra “saúde”, que usamos sobretudo para alguém que espirra, soa prosaica, convencional, babaca até. “É o mais tolo vocábulo em nosso idioma”, disse, com desprezo, o iconoclasta Oscar Wilde.
Mudar o jeito que falamos de saúde significa mudar o nosso estilo de vida. No começo, lutamos contra a inércia. Mas então vem aquilo que poderíamos chamar de “salto de qualidade” e passamos a um novo patamar de nossa existência. Passamos a dialogar com nosso corpo e, para nossa surpresa, descobrimos que esse é um diálogo gratificante. Sabem-no bem as pessoas que embarcam em um programa de exercício. A sensação de bem-estar que se tem depois é algo extraordinário. São as endorfinas? Bem, então são as endorfinas. Se o corpo se expressa através delas, tudo bem. Às vezes, a voz da saúde é a voz do corpo grato.
No que se refere às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue o item seguinte.
Na argumentação desenvolvida no texto, a informação presente em “Teoricamente, a higidez não tem voz” é contraposta à informação presente em “Às vezes, a voz da saúde é a voz do corpo grato”.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: A afirmativa está correta.
Portanto, a informação contida em “Teoricamente, a higidez não tem voz” é, de fato, contraposta à ideia expressa em “Às vezes, a voz da saúde é a voz do corpo grato”.
No início do texto, o autor nos apresenta a saúde como um conceito frequentemente associado ao silêncio e à ausência de doenças; ou seja, a higidez, na perspectiva de muitos, é algo que simplesmente não se manifesta, ficando relegada ao fundo da percepção.
O destaque feito por Moacir Scliar apresenta uma crítica ao entendimento superficial que se tem sobre saúde. Já na segunda citação, ele inova ao afirmar que a saúde pode se manifestar positivamente, através das reações do corpo, como as endorfinas, que trazem uma sensação de gratidão e bem-estar.
Assim, o que está sendo argumentado é que existe uma dualidade: enquanto a saúde é muitas vezes percebida como um estado estático, em que nada acontece, também é possível vê-la como uma experiência ativa e expressiva, que se revela por meio dos sentimentos de prazer e vitalidade que nosso corpo pode proporcionar.
Portanto, o que parece em silêncio pode, na verdade, ser um diálogo profundo e gratificante, evidenciando que a voz da saúde emerge quando passamos a ouvir e interagir com nossas próprias sensações.
É essa contraposição entre o silêncio da higidez e a voz do corpo sadio que fundamenta a assertiva correta.
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