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Questão FC116662

Texto Minha condição humana me fascina. Conheço o limite de minha existência e ignoro por que estou nesta terra, mas às vezes o pressinto. Pela experiência cotidiana, concreta e in

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2016

Texto

Minha condição humana me fascina. Conheço o limite de minha existência e ignoro por que estou nesta terra, mas às vezes o pressinto. Pela experiência cotidiana, concreta e intuitiva, eu me descubro vivo para alguns homens, porque o sorriso e a felicidade deles me condicionam inteiramente, mais ainda para outros que, por acaso, descobri terem emoções semelhantes às minhas.

E cada dia, milhares de vezes, sinto minha vida — corpo e alma — integralmente tributária do trabalho dos vivos e dos mortos. Gostaria de dar tanto quanto recebo e não paro de receber. Mas depois experimento o sentimento satisfeito de minha solidão e quase demonstro má consciência ao exigir ainda alguma coisa de outrem. Vejo os homens se diferenciarem pelas classes sociais e sei que nada as justifica. Sonho ser acessível e desejável para todos uma vida simples e natural, de corpo e de espírito.

Recuso-me a crer na liberdade e nesse conceito filosófico. Eu não sou livre, e sim às vezes constrangido por pressões estranhas a mim, outras vezes por convicções íntimas. Ainda jovem, fiquei impressionado pela máxima de Schopenhauer: “O homem pode, é certo, fazer o que quer, mas não pode querer o que quer”; e hoje, diante do espetáculo aterrador das injustiças humanas, essa moral me tranquiliza e me educa.

Albert Einstein. Como vejo o mundo. Rio de Janeiro: Nova Frontei ra, 2015 (com adaptações).

Com relação ao texto, julgue o item a seguir.

Infere-se dos dois primeiros períodos do segundo parágrafo que o autor sente-se influenciado pelo “trabalho dos vivos e dos mortos”.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: A afirmação é CERTA e podemos compreendê-la ao analisarmos com atenção as palavras do autor. Ele afirma: "sinto minha vida — corpo e alma — integralmente tributária do trabalho dos vivos e dos mortos." Aqui, a palavra "tributária" é fundamental. Ela não se refere a uma obrigação financeira, mas sim a um reconhecimento profundo do que recebe dos outros. Esse sentimento de dívida moral e admiração indica que o autor percebe que sua existência é enriquecida pela contribuição de todos ao seu redor, tanto os que estão vivos quanto os que já partiram. Ao expressar o desejo de "dar tanto quanto recebe", ele revela um forte desejo de retribuir essa influência crucial em sua vida. Portanto, a influência que sente pelo "trabalho dos vivos e dos mortos" não é apenas uma constatação, mas também uma reverência à coletividade que molda sua própria experiência. Com isso, fica evidente que o autor está imerso em uma rede de sentimentos coletivos, o que confirma a resposta correta.

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