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Questão FC116667

Moral para médicos — O doente é um parasita da sociedade. Em certo estado, é indecente viver mais tempo. Prosseguir vegetando em covarde dependência de médicos e tratamentos, depoi

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2016

Moral para médicos — O doente é um parasita da sociedade. Em certo estado, é indecente viver mais tempo. Prosseguir vegetando em covarde dependência de médicos e tratamentos, depois que o sentido da vida, o direito à vida foi embora, deveria acarretar um profundo desprezo na sociedade. Os médicos, por sua vez, deveriam ser os intermediários desse desprezo — não apresentando receitas, mas a cada dia uma dose de nojo a seus pacientes… Criar uma nova responsabilidade, a do médico, para todos os casos em que o supremo interesse da vida, da vida ascendente, exige a mais implacável supressão e rejeição da vida que degenera. Morrer orgulhosamente, quando não é mais possível viver orgulhosamente. A morte escolhida livremente: de modo que ainda seja possível uma real despedida, em que ainda esteja ali aquele que se despede. A questão, aqui, desafiando todas as covardias do preconceito, é estabelecer, antes de tudo, a apreciação correta, ou seja, fisiológica, da chamada morte natural. A morte nas condições mais desprezíveis é uma morte não livre, uma morte no tempo errado, uma morte covarde. Por amor à vida, deveria ser desejada outra morte, livre, consciente, sem acaso, sem assalto…

Friedrich Nietzsche. 100 aforismos sobre o amor e a morte. Companhia das Letras, s. d. (com adaptações).

A partir da filosofia de Nietzsche e tomando como referência inicial o texto acima, julgue o item.

Depreende-se do texto que, para Nietzsche, os doentes graves deveriam ser mortos pela sociedade, que, assim, exerceria sua vontade de potência social.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A afirmação de que, segundo Nietzsche, os doentes graves deveriam ser eliminados pela sociedade é incorreta. No texto, o filósofo enfatiza que a morte deveria ser uma escolha pessoal, feita com dignidade e consciência, em vez de ser imposta por terceiros. Nietzsche critica a dependência doente-médico e o prolongamento da vida em condições desprovidas de sentido, mas não sugere que a sociedade deva tomar medidas drásticas contra os doentes. O que ele defende é uma nova perspectiva sobre a morte digna, propondo que a pessoa deve reconhecer quando a vida não é mais vivida de forma plena e orgulhosa. Assim, a ideia de que a sociedade possuiria a "vontade de potência" para eliminar os doentes é uma distorção de seu pensamento, que valoriza a liberdade individual e a capacidade de uma despedida consciente, ao invés de uma ação social coercitiva. Assim, a interpretação de que a afirmação está correta não se alinha com a essência da filosofia nietzschiana apresentada no texto, tornando-a errada.

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