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Questão FC129630

Nem astronautas nem cosmonautas. Os futuros conquistadores do espaço chamam-se taikonautas. Está-se falando da China, e após a bem-sucedida missão Shenzhou VII, o país planeja esta

Colocação Pronominal

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Nem astronautas nem cosmonautas. Os futuros conquistadores do espaço chamam-se taikonautas. Está-se falando da China, e após a bem-sucedida missão Shenzhou VII, o país planeja estar cada vez mais presente no cosmos. Os próximos passos serão o lançamento de uma estação espacial e o envio de astronaves à Lua e a Marte. Tecnologia para essa empreitada os chineses têm. Dinheiro, também. E motivação política, isso então nem se fala. A missão Shenzhou VII, por exemplo, aproveitou a onda ufanista da Olimpíada. Mais: o seu lançamento comemorou os cinquenta e nove anos da chegada do Partido Comunista ao poder. A China já enviara três missões tripuladas, mas essa foi especial: foi a primeira vez que um taikonauta realizou uma caminhada no espaço.

O ápice da festa foi quando o coronel da Aeronáutica Zhai Zhigang vestiu o seu uniforme (made in China e ao preço de US$ 4,3 milhões), abriu as portas da nave e deu início à sua caminhada cósmica. A missão era objetiva e apologética do governo, justamente para incutir nos chineses o orgulho das futuras missões e tirar deles o apoio incondicional, independentemente de quanto o país tenha de gastar. Zhigang foi flutuando (de ponta cabeça) para apanhar um lubrificante que estava do lado de fora do veículo espacial e, assim, enfeitiçou os olhos dos bilhões de chineses que o assistiam ao vivo pela tevê. Ele ergueu a bandeira vermelha de seu país e declarou: “Estou me sentindo bem. Cumprimento daqui o povo chinês e o povo do mundo inteiro.”

A missão chinesa provou que o país entrou para valer na corrida espacial do futuro. Não faltam projetos, incluindo-se o de uma estação espacial produzida 100% na China. O objetivo é “realizar experiências científicas de grande escala” e criar uma “sólida base para utilização pacífica do espaço e exploração de seus recursos”. Essa estação ajudará o país a avançar em projetos muito mais ambiciosos.

Tatiana de Mello. A vez dos taikonautas. In: Istoé, 8/10/2008 (com adaptações).

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.

No segmento “isso então nem se fala” (l.4), a posição do pronome “se” justifica-se pela presença de palavra de sentido negativo.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A sentença foi julgada CERTO porque, na frase “isso então nem se fala”, a partícula nem tem sentido negativo e, conforme a regra de colocação pronominal do português, palavras de sentido negativo atraem a próclise, ou seja, o pronome oblíquo deve aparecer antes do verbo. Por isso o se aparece em “nem se fala” e não depois, como em “fala-se”.

Além disso, aqui o se funciona como índice de indeterminação do sujeito/índice de voz passiva sintética na locução impessoal “(não) se fala”, reforçando a obrigatoriedade da próclise diante do elemento negativo nem.

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