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Questão FC129647

Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, enfiou depois pela Rua da Carioca, ma

Semântica

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana. Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma cousa e encostou-se à parede, olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida? Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo.

Machado de Assis. A carteira. In: Obra completa de Machado de Assis, vol. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994

Julgue o item subsequente, referente às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima.

A expressão “lançar mão do dinheiro” (l.6), no contexto em que é utilizada, significa pegar o dinheiro para si.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

O item foi julgado CERTO porque, no contexto, a expressão “lançar mão do dinheiro” equivale a “utilizar-se do dinheiro”, ou seja, a apropriar-se dele para dispor como se fosse seu.


No trecho, o narrador apresenta o dilema de Honório: a consciência lhe pergunta se pode usar o que achar, enquanto a tentação de pagar a dívida o impele a fazê-lo. Essa oposição entre dever (levar à polícia, anunciar) e interesse concreto confirma o sentido de pegar o dinheiro para si.


Semanticamente, “lançar mão de” reúne a ideia de recorrer a algo e usar; aqui não há outro sentido idiomático: trata-se de apropriação prática do valor encontrado.

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