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Questão FC129650

Na Vila Telebrasília, onde mora, poucos conhecem Abiesel Alves Cavalcanti pelo nome completo. Lá ele é Bisa, o pescador. Há 35 anos, o pernambucano veio atrás do progresso na capit

Sintaxe

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Na Vila Telebrasília, onde mora, poucos conhecem Abiesel Alves Cavalcanti pelo nome completo. Lá ele é Bisa, o pescador. Há 35 anos, o pernambucano veio atrás do progresso na capital. Acompanhado pelo irmão, trouxe algumas roupas e a tarrafa, sua ferramenta de trabalho. “Eu falei para o mano: se lá tem água, tem peixe. De fome a gente não morre”, lembra Bisa. O Lago Paranoá alimentou toda a sua família, composta de mulher e dez filhos. No começo, quando a pesca com tarrafa era proibida, Bisa saía na madrugada em uma canoa e trabalhava escondido. Depois, quando a captura com malha foi autorizada, ele se destacou entre os colegas. Chegava a voltar com até 300 quilos de peixe na embarcação. Hoje, o lago já não é tão abundante quanto há uma década e meia, mas ele ainda chega com o barco cheio. Entre tilápias, tucunarés, carpas e traíras, soma 250 quilos de peixe por semana e perto de dois mil reais por mês. Bisa rema quase sete horas para chegar até a altura da Ermida Dom Bosco e, às vezes, dorme na mata e retorna para casa só na manhã seguinte. “É uma vida de muito trabalho, mas necessidade eu nunca passei”, diz o pescador.

Lilian Tahan. Vivendo de pescaria. In: Veja Brasília, 2/10/2013 (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativo à ideia e às estruturas linguísticas do texto acima.

O complemento da forma verbal ‘passei’ (l.9) não está explicitamente expresso no texto, devendo ser inferido pelo leitor.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é errada porque o complemento do verbo passei está explicitamente presente no texto: a palavra necessidade exerce a função de complemento.

Sinteticamente, na oração "É uma vida de muito trabalho, mas necessidade eu nunca passei", temos: sujeito eu (implícito/expresso), verbo passei e objeto necessidade. O verbo "passar" aqui tem valor de "sofrer", ou seja, é transitivo direto, exigindo o objeto que, neste caso, aparece sem preposição.

Se reorganizarmos: "Mas eu nunca passei necessidade", a função sintática fica ainda mais nítida. Logo, não cabe inferência do leitor, pois o complemento está claramente expresso.

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