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Questão FC129689

Para o observador externo, pode parecer pura preguiça. No entanto, o ato de sonhar acordado relaciona-se ao desenvolvimento da autoconsciência e da criatividade, à capacidade de pl

Regência

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Para o observador externo, pode parecer pura preguiça. No entanto, o ato de sonhar acordado relaciona-se ao desenvolvimento da autoconsciência e da criatividade, à capacidade de planejamento e de improvisação, à possibilidade de reflexão profunda sobre as experiências cotidianas e ainda ao raciocínio moral. A aparência pode ser de devaneio sem rumo, porém o cérebro pode estar operando um processo neurológico complexo, sofisticado e produtivo.

O autor inglês Neil Gaiman, autor de romances, livros e quadrinhos, declarou recentemente, em uma palestra, que o nosso futuro depende de livrarias, da leitura e da capacidade de sonhar acordado. O autor iniciou sua palestra mencionando que a próspera indústria norte-americana de construção de prisões usa como variável para a previsão da demanda (necessidades futuras de celas) o percentual de crianças com dez e onze anos incapazes de ler. Para ele, temos a obrigação de sonhar acordados e usar a imaginação. Essas atividades nos fazem criar mundos alternativos, que nos permitem construir o futuro.

No mundo do trabalho, a atividade de sonhar acordado já teve dias melhores. Muitas organizações contemporâneas declaram amor incondicional pela criatividade e pela inovação. Paradoxalmente, continuam a refrear, disciplinar ou expelir seus sonhadores. Eles resistem como podem, sonhando acordados para enfrentar o tédio no trabalho. A Revolução Industrial e a ascensão das linhas de montagem sepultaram a criatividade e exilaram os sonhadores.

Faz bem sonhar acordado. In: CartaCapital, 13/11/2013, p. 60 (com adaptações).

No que se se refere às ideias e a aspectos linguísticos do texto acima, julgue o próximo item.

No trecho “a obrigação de sonhar”, a correção gramatical seria mantida se a preposição “de” fosse substituída por em.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Errado. Trata-se de questão de regência nominal: o substantivo obrigação rege a preposição de quando liga-se a um verbo no infinitivo ou a um substantivo que expressa o dever, como em obrigação de sonhar, com sentido de "dever/necessidade de".

Substituir por em altera a regência e compromete a correção sintática e semântica: obrigação em sonhar soa incerto e não estabelece a relação de dever. A preposição em indica lugar, tempo ou circunstância, não a relação de posse/dever requerida por obrigação.

Portanto, a troca causaria erro gramatical e mudança de sentido, justificando o julgamento "ERRADO".

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