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Questão FC129692

A prioridade concedida à informação percorre caminhos diferentes do projeto de formar o cidadão consciente, o espírito crítico, o ser humano solidário?

Regência

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Esta é uma pergunta que supõe polos opostos. Qual o valor supremo a ser realizado pelo ensino?

A prioridade concedida à informação percorre caminhos diferentes do projeto de formar o cidadão consciente, o espírito crítico, o ser humano solidário?

Até certo ponto sim. Entupir a cabeça do aluno (penso no jovem que se prepara para um vestibular) com dados, nomes, números e esquemas, o que significa em termos de formar uma pessoa justa, verdadeira, compassiva, democrática? A aspiração de Montaigne continua viva, mais do que nunca: a criança não deve ser um vaso que se encha, mas uma vela que se acenda.

Para não descambar no puro ceticismo, lembro que o exercício constante das ciências físico-matemáticas, das ciências biológicas e da pesquisa histórica pode contribuir para a formação de hábitos de atenção e rigor que, provavelmente, irão propiciar o respeito à verdade, o que é sempre um progresso moral. Digo “provavelmente” porque os numerosos exemplos de transgressão da ética científica, movidos por interesses e paixões, não permitem expressões de otimismo exagerado.

Permanece inquietante a questão de formar a criança e o jovem para valores que ainda constituem o ideal do nosso tão sofrido bípede implume. O malogro da educação liberal-capitalista nos aflige como, em outro contexto, nos teria afligido um projeto de educação totalitária. Esta impõe, mediante a violência do Estado, a passividade inerme do cidadão, ao qual só resta obedecer aos ditames do partido dominante. Conhecemos o que foi a barbárie nazifascista, a barbárie stalinista, a barbárie maoísta. De outra natureza é a barbárie que vivemos no aqui-e-agora do consumismo irresponsável, dos lobbies farmacêuticos, do desrespeito ao ambiente, das violações dos direitos humanos fundamentais, da imprensa facciosa e venal, dos partidos de aluguel, da intolerância ideológica dos grupelhos, da arrogância dos formadores de opinião espalhados pela mídia e pelas universidades.

Um plano oficial de educação pouco poderia fazer para alterar esse iminente risco de desintegração que afeta a sociedade civil, atingindo classes e estamentos diversos; mas que ao menos se faça esse pouco!

Alfredo Bosi. A valorização dos docentes é a única forma de construir uma escola eficiente.
Chega de proletários do giz. In: Carta Capital. Ano XIX, n.º 781, p. 29 (com adaptações).

Acerca das ideias desenvolvidas no texto acima e das estruturas linguísticas nele empregadas, julgue o item.

Sem prejuízo da correção gramatical e do sentido original do texto, a preposição “a”, em “ao qual”, poderia ser suprimida.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A marcação ERRADO está correta porque a preposição a é exigida pela regência do verbo restar no sentido de "sobrar, ficar para alguém".

No contexto: "esta impõe... a passividade inerme do cidadão, ao qual só resta obedecer...", a construção equivale a "só resta a alguém fazer algo". Assim, "só resta ao cidadão obedecer..." é gramatical, enquanto suprimir a preposição gera forma incabalável: "*só resta o cidadão obedecer..." é incorreto.

Além disso, como se trata de pronome relativo, a preposição se mescla com o artigo em "ao qual", mantendo a relação sintática entre o verbo e seu complemento. Portanto, a supressão de a prejudica a regência e o sentido.

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