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Questão FC129731

Ninguém sabia, nem pretendia saber, por que ou como Lanebbia e seus associados se interessavam por um bando de maníacos como nós, gente estranha, supostamente inteligente, que pass

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Ninguém sabia, nem pretendia saber, por que ou como Lanebbia e seus associados se interessavam por um bando de maníacos como nós, gente estranha, supostamente inteligente, que passava horas lendo ou discutindo inutilidades. Gente, dizia-se, que brilharia no corpo docente de qualquer universidade; especialistas que qualquer editora contrataria por somas astronômicas (certos astros não são muito grandes). Era um enigma também para nós; mas, lamentações à parte, sabíamos de nossa incompetência, também astronômica (alguns astros são bastante grandes), para lidar com contratos, chefes, prazos e, sobretudo, reivindicações salariais. Tínhamos, além disso, algumas doenças comuns a todo o grupo, ou quase todo: a bibliomania mais crônica que se possa imaginar, uma paixão neurótico deliquencial por textos antigos, que nos levava frequentemente a visitas subservientes a párocos, conventos, igrejas e colégios. Procurávamos criar relacionamentos que facilitassem o acesso a qualquer velharia escrita. Que poderia estar esperando por nós, por que não?, desde séculos, ou décadas. Conhecíamos armários, sótãos, porões e cofres de sacristias, bibliotecas, batistérios ou cenáculos, bem melhor do que seus proprietários ou curadores. Tínhamos achado preciosidades que muitos colecionadores cobiçariam. Descobrir esses esconderijos era uma espécie de hobby nosso nos fins de semana, quando saíamos atrás de boa comida, bons vinhos e velhos escritos.

Isaias Pessotti. Aqueles cães malditos de Arquelau. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993, p. 11 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, relativo às estruturas linguísticas e às ideias do texto acima.

Seria mantida a correção gramatical do texto caso a expressão “melhor do que” fosse substituída por melhor que.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A marcação está correta porque tanto “melhor do que” quanto “melhor que” são formas aceitáveis em português. Melhor é o comparativo irregular de bom, e pode ser seguido diretamente por que, sem perda de correção.

O elemento do em “melhor do que” surge por analogia com a construção “mais ... do que”, onde do = de + o, e funciona como um reforço ou ponte sintática, não como exigência gramatical. Por isso sua presença é facultativa.

Em termos práticos e normativos, autores consagrados aceitam ambas as formas, portanto a substituição preservaria a correção gramatical do trecho. Estilisticamente, “melhor que” costuma ser mais conciso.

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