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Questão FC129737

Nas formas de vida coletiva, podem assinalar-se dois princípios que se combatem e regulam diversamente as atividades dos homens. Esses dois princípios encarnam- se nos tipos do ave

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Nas formas de vida coletiva, podem assinalar-se dois princípios que se combatem e regulam diversamente as atividades dos homens. Esses dois princípios encarnam- se nos tipos do aventureiro e do trabalhador. Já nas sociedades rudimentares manifestam-se eles, segundo sua predominância, na distinção fundamental entre os povos caçadores ou coletores e os povos lavradores. Para uns, o objeto final, a mira de todo esforço, o ponto de chegada, assume relevância tão capital, que chega a dispensar, por secundários, quase supérfluos, todos os processos intermediários. Seu ideal será colher o fruto sem plantar a árvore. Esse tipo humano ignora as fronteiras. No mundo, tudo se apresenta a ele em generosa amplitude e, onde quer que se erija um obstáculo a seus propósitos ambiciosos, sabe transformar esse obstáculo em trampolim. Vive dos espaços ilimitados, dos projetos vastos, dos horizontes distantes.

O trabalhador, ao contrário, é aquele que enxerga primeiro a dificuldade a vencer, não o triunfo a alcançar. O esforço lento, pouco compensador e persistente, que, no entanto, mede todas as possibilidades de esperdício e sabe tirar o máximo proveito do insignificante, tem sentido bem nítido para ele. Seu campo visual é naturalmente restrito. A parte maior do que o todo.

Existe uma ética do trabalho, como existe uma ética da aventura. Assim, o indivíduo do tipo trabalhador só atribuirá valor moral positivo às ações que sente ânimo de praticar e, inversamente, terá por imorais e detestáveis as qualidades próprias do aventureiro — audácia, imprevidência, irresponsabilidade, instabilidade, vagabundagem — tudo, enfim, quanto se relacione com a concepção espaçosa do mundo, característica desse tipo.

Por outro lado, as energias e esforços que se dirigem a uma recompensa imediata são enaltecidos pelos aventureiros; as energias que visam à estabilidade, à paz, à segurança pessoal e aos esforços sem perspectiva de rápido proveito material passam-lhes, ao contrário, por viciosos e desprezíveis. Nada lhes parece mais estúpido e mesquinho do que o ideal do trabalhador.

Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Com base no texto, julgue o item.

As expressões “Para uns” (linha 3) e “Esse tipo humano” (linha 5) remetem, respectivamente, aos indivíduos aventureiros e aos indivíduos lavradores.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A afirmação proposta é incorreta! Vamos analisar as expressões “Para uns” e “Esse tipo humano” no contexto apresentado. Quando o texto menciona “Para uns”, refere-se aos indivíduos aventureiros, que priorizam a recompensa imediata e a ambição desmedida, desprezando os processos intermediários. Logo, essa expressão não tem relação com os lavradores, que, ao contrário, são mais cautelosos e focados na diligência. Em sequência, a expressão “Esse tipo humano”, que surge logo após, também se refere aos aventureiros, uma vez que a descrição subsequente fala sobre suas características, como a audácia e a capacidade de ver o mundo sem fronteiras. O texto, portanto, delineia nitidamente as diferenças entre aventureiros e trabalhadores, reforçando que ambas as expressões se vinculam aos aventureiros, e não aos lavradores. Dessa forma, a confusão na interpretação da relação entre essas expressões resulta na afirmação equivocada do item.

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