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Questão FC129748

Chovia. Nas bancas de jornal do Rio de Janeiro, no dia 31 de março de 1964, o Correio da Manhã, jornal liberal, estampava o editorial com o título: “Basta!”. Nele, lia-se: “Até que

Linguagem

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Chovia. Nas bancas de jornal do Rio de Janeiro, no dia 31 de março de 1964, o Correio da Manhã, jornal liberal, estampava o editorial com o título: “Basta!”. Nele, lia-se: “Até que ponto o presidente da República abusará da paciência da Nação? Até que ponto pretende tomar para si, por meio de decretos, leis, a função do poder legislativo?” No dia seguinte, o mesmo jornal publicou outro editorial. O título — “Fora!” — indicava o clima de radicalização política a que o país tinha chegado: “Fora! A Nação não mais suporta a permanência do Sr. João Goulart à frente do governo. Chegou ao limite final a capacidade de tolerá-lo por mais tempo. Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!”

Marco Antonio Villa. Ditadura à brasileira: 1964-1985, a democracia golpeada 
à esquerda e à direita. São Paulo: LeYa, 2014, p. 16-8 (com adaptações).

Tendo como referência o fragmento de texto acima, julgue o próximo item.

No trecho “Chegou ao limite final a capacidade de tolerá-lo por mais tempo”, a redundância no emprego do adjetivo “final” e da expressão “por mais tempo” está associada à presença da função emotiva da linguagem, visto que se trata de trecho opinativo.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

O julgamento CERTO decorre do reconhecimento de que a frase usa um recurso estilístico típico de textos opinativos: o pleonasmo expressivo. Ao repetir ideias com "final" e "por mais tempo", o enunciador não busca informação nova, busca intensificar a emoção e a urgência da mensagem.

Em um editorial, predomina a função emotiva da linguagem, que privilegia a expressão da atitude do emissor e a persuasão do leitor. A redundância serve para enfatizar o limite da tolerância e aumentar o apelo afetivo, marcando posicionamento político.

Portanto, a repetição não é erro, é intenção retórica vinculada à função emotiva, justificando o julgamento como certo.

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