Questão FC129964
O passado jamais pode ser objeto de escolha: ninguém escolhe ter havido o saque de Troia; com efeito, a deliberação não se refere ao passado, mas ao futuro e ao contingente, pois o
Ortografia
CEBRASPE (CESPE) · 2013
O passado jamais pode ser objeto de escolha: ninguém escolhe ter havido o saque de Troia; com efeito, a deliberação não se refere ao passado, mas ao futuro e ao contingente, pois o passado não pode não ter sido. Agatão está certo ao escrever: “Pois há uma única coisa de que o próprio Deus está privado: fazer que o que foi não tenha sido”.
Em outras palavras, a necessidade do passado se contrapõe à possibilidade do presente, em decorrência da indeterminação do futuro. O possível está, portanto, articulado ao tempo presente como escolha que determinará o sentido do futuro, que, em si mesmo, é contingente porque depende de nossa deliberação, escolha e ação. Isso significa, todavia, que, uma vez feita a escolha entre duas alternativas contrárias e realizada a ação, aquilo que era um futuro contingente se transforma em um passado necessário, de tal maneira que nossa ação determina o curso do tempo. É essa passagem do contingente ao necessário por meio do possível que dá à ação humana um peso incalculável.
Marilena Chaui. Contra a servidão voluntária. Belo Horizonte: Editora Fundação Perseu Abramo, 2013, vol. 1, p. 114 (com adaptações).
Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto acima, julgue o item a seguir.
O emprego do acento gráfico nos vocábulos “próprio” e “decorrência” atende à mesma regra de acentuação gráfica.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A assertiva é correta porque ambas as palavras recebem acento pelo mesmo princípio ortográfico.
Tanto próprio quanto decorrência apresentam tonicidade em sílaba que inclui um ditongo oral crescente, circunstância pela qual são acentuadas. Na classificação atual isso é tratado como proparoxítonas aparentes, nome diferente para a mesma situação tradicionalmente descrita como paroxítonas terminadas em ditongo oral crescente.
Portanto, o acento em ambas decorre de uma única regra: tonicidade acompanhada de ditongo oral crescente, e não de regras distintas. Se a banca dissesse motivos diferentes, isso estaria errado.
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