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Questão FC130019

Convocada por D. Pedro em junho de 1822, a constituinte só seria instalada um ano mais tarde, no dia 3 de maio de 1823, mas acabaria dissolvida seis meses depois, em 12 de novembro

Concordância (Verbal e Nominal)

CEBRASPE (CESPE) · 2011

Convocada por D. Pedro em junho de 1822, a constituinte só seria instalada um ano mais tarde, no dia 3 de maio de 1823, mas acabaria dissolvida seis meses depois, em 12 de novembro.

Os membros da constituinte eram escolhidos por meio dos mesmos critérios estabelecidos para a eleição dos deputados às cortes de Lisboa. Os eleitores eram apenas os homens livres, com mais de vinte anos e que residissem por, pelo menos, um ano na localidade em que viviam, e proprietários de terra. Cabia a eles escolher um colégio eleitoral, que, por sua vez, indicava os deputados de cada região. Estes tinham de saber ler e escrever, possuir bens e virtudes. Em uma época em que a taxa de analfabetismo alcançava 99% da população, só um entre cem brasileiros era elegível. Os nascidos em Portugal tinham de estar residindo por, pelo menos, doze anos no Brasil. Do total de cem deputados eleitos, só 89 tomaram posse. Era a elite intelectual e política do Brasil, composta de magistrados, membros do clero, fazendeiros, senhores de engenho, altos funcionários, militares e professores. Desse grupo, sairiam mais tarde 33 senadores, 28 ministros de Estado, dezoito presidentes de província, sete membros do primeiro conselho de Estado e quatro regentes do Império.

O local das reuniões era a antiga cadeia pública, que, em 1808, havia sido remodelada pelo vice-rei conde dos Arcos para abrigar parte da corte portuguesa de D. João.
No dia da abertura dos trabalhos, D. Pedro chegou ao prédio em uma carruagem puxada por oito mulas. Discursou de cabeça descoberta, o que, por si só, sinalizava alguma concessão ao novo poder constituído nas urnas. A coroa e o cetro, símbolos do seu poder, também foram deixados sobre uma mesa.

Laurentino Gomes. 1822. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010, p. 213-16 (com adaptações).

Julgue o item seguinte, relativo às relações sintáticas e semânticas do texto.

Caso a referida taxa de analfabetismo fosse de 98% da população, o trecho "Em uma época em que a taxa de analfabetismo alcançava 99% da população, só um entre cem brasileiros era elegível" deveria ser corretamente reescrito da seguinte forma: Em uma época em que a taxa de analfabetismo alcançava 98% da população, só dois entre cem brasileiros seria elegível.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A questão em análise aborda aspectos fundamentais da concordância verbal e da estrutura temporal nas frases apresentadas.
O trecho original, "Em uma época em que a taxa de analfabetismo alcançava 99% da população, só um entre cem brasileiros era elegível", utiliza a forma verbal “era” de maneira correta. Aqui, o verbo no singular concorda adequadamente com o sujeito “um entre cem brasileiros”, uma vez que refere-se a apenas um brasileiro que era elegível.
Por outro lado, a reescrita sugerida, "Em uma época em que a taxa de analfabetismo alcançava 98% da população, só dois entre cem brasileiros seria elegível", apresenta duas falhas graves:
1ª) O verbo “seria” está na forma singular, enquanto o sujeito “dois entre cem brasileiros” é claramente plural. Logo, a forma correta deveria ser “eram”, estabelecendo a concordância apropriada com o sujeito.
2ª) Além disso, o uso de “seria” indica uma condição ou hipótese, que não se aplica ao contexto, pois o enunciado trata de um fato concreto no passado. Portanto, o uso do pretérito imperfeito “eram” é não apenas preferido, mas necessário: “Em uma época em que a taxa de analfabetismo alcançava 98% da população, só dois entre cem brasileiros eram elegíveis.”
Assim, conclui-se que a proposta da banca é, de fato, ERRADA, por comprometer a lógica da concordância e o uso correto do tempo verbal.

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