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Questão FC130592

Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, enfiou depois pela Rua da Carioca, ma

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana. Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma cousa e encostou-se à parede, olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida? Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo.

Machado de Assis. A carteira. In: Obra completa de Machado de Assis, vol. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994

Julgue o item subsequente, referente às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima.

Infere-se do trecho acima que o personagem está angustiado pelo fato de ter encontrado uma carteira e pelo dilema de usar ou não o dinheiro, que por acaso pudesse encontrar dentro dela.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: A análise do trecho revela um interessante dilema moral vivido por Honório, o que gera uma clara sensação de angústia e reflexão. O personagem se vê em uma situação delicada após encontrar uma carteira, e isso o leva a questionar não apenas a possibilidade de usar o dinheiro, mas também as implicações éticas dessa ação. Ao longo do texto, a dúvida acerca do uso do dinheiro encontrado se torna central, explícita na preocupação manifestada por Honório: "Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada...". Essa frase não só indica a incerteza do que pode ser encontrado, mas também a hesitação em agir com base nesse achado. A consciência do personagem se manifesta de forma crítica, como uma voz interna que o insta a devolver a carteira, enquanto as circunstâncias o empurram na direção contrária. Assim, a ideia de usar o dinheiro para saldar dívidas é apresentada como uma tentação concreta, que leva a um conflito interno. O trecho nos mostra, portanto, que a angústia de Honório deriva não apenas do ato de encontrar um objeto perdido, mas também da pressão moral e social que esse achado acarreta. Portanto, a resposta à afirmação é, de fato, CERTA.

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