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Questão FC130602

Acho que, se eu não fosse tão covarde, o mundo seria um lugar melhor. Não que a melhora do mundo dependa de uma só pessoa, mas, se o medo não fosse constante, as pessoas se uniriam

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Acho que, se eu não fosse tão covarde, o mundo seria um lugar melhor. Não que a melhora do mundo dependa de uma só pessoa, mas, se o medo não fosse constante, as pessoas se uniriam mais e incendiariam de entusiasmo a humanidade. Mas o que vejo no espelho é um homem abatido diante das atrocidades que afetam os menos favorecidos.

Se tivesse coragem, não aceitaria crianças passarem fome, frio e abandono. Elas nos assustam com armas nos semáforos, pedem esmolas, são amontoadas em escolas que não ensinam, e, por mais que chorem, somos imunes a essas lágrimas.

Sou um covarde diante da violência contra a mulher, do homem contra o homem. E porque os índios estão tão longe da minha aldeia e suas flechas não atingem meus olhos nem o coração, não me importa que tirem suas terras, sua alma. Analfabeto de solidariedade, não sei ler sinais de fumaça. Se tivesse um nome indígena, seria “cachorro medroso”. Se fosse o tal ser humano forte que alardeio, não aceitaria famílias sem terem onde morar.

Sérgio Vaz. Antes que seja tarde. In: Caros Amigos, mai./2013, p. 8 (com adaptações).

Com base na leitura do texto, julgue o item seguinte.

Infere-se do texto que as mazelas que assolam o mundo se devem às desigualdades sociais.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A resposta está correta ao afirmar que a afirmação de que as mazelas do mundo se devem exclusivamente às desigualdades sociais é errada. O texto nos apresenta a perspectiva de um indivíduo que se sente impotente e cobarde diante das injustiças sociais, sugerindo que a verdadeira raiz do problema reside na inatividade e no medo que paralisa a ação das pessoas. A reflexão do autor indica que, mesmo percebendo as atrocidades, ele e muitas outras pessoas não se mobilizam para mudar essa realidade. Frases como "se o medo não fosse constante, as pessoas se uniriam mais" demonstram que, para ele, a mudança coletiva é barrada pela falta de coragem e pela indiferença, características que podem ser mais predominantes do que as desigualdades em si. Portanto, a questão não considera que a luta contra as mazelas exige mais do que a identificação das desigualdades; ela demanda ações efetivas, participação e solidariedade, elementos que estão ausentes na reflexão do eu lírico.

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