Questão FC130619
A democracia já não se reduz a uma esperança, não é mais uma questão, não é apenas um direito, não é somente o apanágio de uma cidade ilustrada como Atenas, ou de um grande povo co
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2014
Enquanto alguns discutem ainda se ela deve ser, já ela é. Como o crescer silencioso, mas incessante, do fluxo do oceano, sobe e espraia-se calada, mas continuamente. Cada onda que se aproxima, e recua depois, estende os limites do poderoso elemento. Os espíritos que não veem muito deixam-se dormir, entretanto, recostados indolentemente à margem que as águas não tardarão em invadir, porque a enchente cresce linha a linha sem que a percebam, e, como a onda retrocede sempre, parece- lhes que, retrocedendo, perdeu todo o terreno vencido. Embora alguma onda mais impetuosa, como que os advertindo, jogue de longe sobre eles a espuma. Riem dela, porque a veem retrair-se logo após; persuadidos de que têm subjugado o oceano quando mandam pelos seus serviçais antepor-lhe a cautela de algum quebra-mar que dure pela vida de uma ou duas gerações. Cuidam ter desse modo segurado a sua casa e o futuro dos filhos. Mas o frágil anteparo, minado pela ação imperceptível das águas, esboroa-se um bom dia, malogrando-lhes os cálculos, quando não mais que isso.
A aristocracia teve a sua época e passou. A realeza teve a sua, e extinguiu-se também. Chegou a vez da democracia, e esta permanecerá para sempre. Por quê? Porque a aristocracia era a sujeição de todos a poucos, era o privilégio, a hereditariedade, que, na propriedade individual, é legítima, por ser consequência do trabalho, mas que, em política, é absurda, porque exclui do governo a vontade dos governados e submete o merecimento à incapacidade. A realeza também era o privilégio, ainda mais restrito, mais concentrado, personificado em um indivíduo, circunscrito a uma família. A democracia, essa é a negação das castas, das exclusões arbitrárias, e a consagração do direito: por isso, não morre.
Julgue o item, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto acima.
Evidencia-se, no texto, o entusiasmo do autor por um regime político e econômico que garantisse a todos os cidadãos iguais oportunidades de representação política e de acesso aos bens existentes na comunidade.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Errado
Comentário do professor
Comentário: A afirmação colocada está INCORRETA por algumas razões fundamentais. Primeiramente, o texto de Rui Barbosa aborda a democracia estritamente como um regime político, sem adentrar na questão econômica ou nas oportunidades de acesso aos bens da comunidade. O autor enfatiza que a democracia evoluiu de um mero ideal para uma realidade viva, destacando sua força e abrangência como um princípio universal. Portanto, a tentativa de associar seu entusiasmo à igualdade nas oportunidades de representação política e ao acesso a bens evidencia uma extrapolação do conteúdo que o texto realmente apresenta. Além disso, o autor critica regimes anteriores como aristocracia e realeza, mas não argumenta que a democracia deva proporcionar acesso igualitário aos bens materiais, o que revela uma falha na interpretação do texto. Assim, é crucial ler e compreender as ideias principais e a intenção do autor sem projetar outras ideias que não estão no texto.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em