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Questão FC130622

No momento em que se completa o cinquentenário do golpe de 1964, as condições são propícias para análises menos afetadas pelo calor dos acontecimentos. A distância no tempo favorec

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2014

No momento em que se completa o cinquentenário do golpe de 1964, as condições são propícias para análises menos afetadas pelo calor dos acontecimentos. A distância no tempo favorece um olhar mais analítico e menos passional, ainda que interessado politicamente e compromissado com o repúdio à violência e ao autoritarismo.

(...)

É importante pesquisar a ditadura, assim como divulgar o conhecimento produzido e enfrentar as polêmicas que ele inexoravelmente provoca. Além de disputas inerentes à lógica do conhecimento por si, está em jogo a formação política dos cidadãos brasileiros. Tal aspecto da questão é, em particular, significativo entre nós porque, no Brasil, é muito numeroso o grupo de pessoas que desconhece o passado recente.

Ao contrário do que muitos têm apregoado, o melhor não é “virar a página” no que se refere ao período da ditadura. Escolha mais adequada é empreender uma apropriação crítica desse passado político recente, tanto para consolidar nossa frágil cidadania quanto para entender a realidade em que vivemos. Para tanto, é fundamental estudar a ditadura, a fim de compreender a atualidade do seu legado e, assim, criar condições de superá-lo.

Rodrigo Patto Sá Motta, Daniel Aarão Reis e Marcelo Ridenti. A ditadura que mudou o Brasil: 50 anos do golpe de 1964. Rio de Janeiro: Zahar, 2014 (com adaptações).

Em relação ao texto acima, julgue o item.

O texto é apresentado como uma resposta aos que desejam o esquecimento do passado de ditadura no Brasil, como evidencia o trecho “o melhor não é ‘virar a página’ no que se refere ao período da ditadura”, em que o emprego das aspas indica que a expressão ‘virar a página’ provém de discurso alheio.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: O texto apresenta um posicionamento claro e firme em relação à proposta de “virar a página”, expressão que representa o desejo de apagar ou esquecer o passado da ditadura no Brasil. A utilização das aspas ao redor dessa expressão é uma estratégia retórica que indica que ela pertence a um discurso mais amplo, que o autor questiona e refuta. Ao afirmar que “o melhor não é ‘virar a página’”, os autores afirmam a importância da memória, da análise crítica e do aprendizado com os erros do passado. Eles defendem que o esquecimento não é a solução, mas sim uma apropriação consciente desse legado, essencial para construir uma cidadania mais sólida e informada. Portanto, o texto é, de fato, uma resposta contundente àqueles que promovem o esquecimento da história política do Brasil, levando a questão a ser classificada como correta.

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