Questão FC130689
As traduções são muito mais complexas do que se imagina. Não me refiro a locuções, expressões idiomáticas, gírias, flexões verbais, declinações e coisas assim. Isso pode ser resolv
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
CEBRASPE (CESPE) · 2014
“Amanhã” significa, entre outras coisas, “nunca”, “talvez”, “vou pensar”, “vou desaparecer”, “procure outro”, “não quero”, “no próximo ano”, “assim que eu precisar”, “um dia destes”, “vamos mudar de assunto” etc. e, em casos excepcionalíssimos, “amanhã” mesmo. Qualquer estrangeiro que tenha vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para distinguir qual o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele responde, com a habitual cordialidade, que fará tal ou qual coisa amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho de estatísticas confiáveis, mas tenho certeza de que nove em cada dez alemães que procuram ajuda médica no Brasil o fazem por causa de “amanhãs” casuais que os levam, no mínimo, a um colapso nervoso, para grande espanto de seus amigos brasileiros.
Em relação às ideias e a aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item subsequente.
O último período do texto poderia ser reescrito, com coerência e correção gramatical, da seguinte forma: Não disponho de estatísticas confiáveis, mas estou certo que nove em cada dez alemães que procuram ajuda médica no Brasil, para grande surpresa de seus amigos brasileiros, o fazem por causa de “amanhãs” casuais que lhes levam, no mínimo, um colapso nervoso.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A assertiva foi julgada ERRADA porque a reescrita proposta introduz erro gramatical e altera a clareza do original.
O problema central está no uso do pronome “lhes”. O verbo levar, na estrutura levar alguém a algo, exige complemento direto: portanto o correto é “que os levam … a um colapso nervoso”, não “que lhes levam … um colapso nervoso”.
Além disso, deslocar a expressão “para grande surpresa de seus amigos brasileiros” para entre sujeito e predicado prejudica a fluidez e pode criar ambiguidade na referência de “seus”, tornando a frase estilisticamente inadequada.
Por esses motivos a reescrita não preserva a correção e a clareza do período original.
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