Questão FC130694
A democracia já não se reduz a uma esperança, não é mais uma questão, não é apenas um direito, não é somente o apanágio de uma cidade ilustrada como Atenas, ou de um grande povo co
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
CEBRASPE (CESPE) · 2014
Enquanto alguns discutem ainda se ela deve ser, já ela é. Como o crescer silencioso, mas incessante, do fluxo do oceano, sobe e espraia-se calada, mas continuamente. Cada onda que se aproxima, e recua depois, estende os limites do poderoso elemento. Os espíritos que não veem muito deixam-se dormir, entretanto, recostados indolentemente à margem que as águas não tardarão em invadir, porque a enchente cresce linha a linha sem que a percebam, e, como a onda retrocede sempre, parece- lhes que, retrocedendo, perdeu todo o terreno vencido. Embora alguma onda mais impetuosa, como que os advertindo, jogue de longe sobre eles a espuma. Riem dela, porque a veem retrair-se logo após; persuadidos de que têm subjugado o oceano quando mandam pelos seus serviçais antepor-lhe a cautela de algum quebra-mar que dure pela vida de uma ou duas gerações. Cuidam ter desse modo segurado a sua casa e o futuro dos filhos. Mas o frágil anteparo, minado pela ação imperceptível das águas, esboroa-se um bom dia, malogrando-lhes os cálculos, quando não mais que isso.
A aristocracia teve a sua época e passou. A realeza teve a sua, e extinguiu-se também. Chegou a vez da democracia, e esta permanecerá para sempre. Por quê? Porque a aristocracia era a sujeição de todos a poucos, era o privilégio, a hereditariedade, que, na propriedade individual, é legítima, por ser consequência do trabalho, mas que, em política, é absurda, porque exclui do governo a vontade dos governados e submete o merecimento à incapacidade. A realeza também era o privilégio, ainda mais restrito, mais concentrado, personificado em um indivíduo, circunscrito a uma família. A democracia, essa é a negação das castas, das exclusões arbitrárias, e a consagração do direito: por isso, não morre.
Julgue o item, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto acima.
Conservando-se a coerência e correção gramatical do texto, o primeiro período do primeiro parágrafo poderia ser assim reescrito: A democracia deixou de ser apenas uma esperança, uma questão, um direito; abdicou de seu papel de mero apanágio de uma cidade adornada como Atenas ou de um povo admirável como os romanos: hoje, para as sociedades modernas, ela é mais, é tudo.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação foi julgada ERRADA porque a reescrita proposta altera o sentido e a força retórica do original, mesmo que pareça gramaticalmente aceitável.
No texto original, o autor usa a locução "deixou de ser" em série negativa para enfatizar o que a democracia deixou de ser; a proposta substitui por abdicou, verbo que implica renúncia voluntária, mudança semântica incompatível com a intenção do autor.
Além disso, a reescrita rompe a estrutura paralela e a cadência enumerativa do período, elementos essenciais à ênfase e ao ritmo argumentativo do trecho.
Pequenas alterações lexicais, como "ilustrada" por "adornada" e variações em "romano/romanos", também prejudicam o registro e a precisão histórica. Por esses motivos a alteração é incorreta.
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