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Questão FC130706

A prioridade concedida à informação percorre caminhos diferentes do projeto de formar o cidadão consciente, o espírito crítico, o ser humano solidário?

Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Esta é uma pergunta que supõe polos opostos. Qual o valor supremo a ser realizado pelo ensino?

A prioridade concedida à informação percorre caminhos diferentes do projeto de formar o cidadão consciente, o espírito crítico, o ser humano solidário?

Até certo ponto sim. Entupir a cabeça do aluno (penso no jovem que se prepara para um vestibular) com dados, nomes, números e esquemas, o que significa em termos de formar uma pessoa justa, verdadeira, compassiva, democrática? A aspiração de Montaigne continua viva, mais do que nunca: a criança não deve ser um vaso que se encha, mas uma vela que se acenda.

Para não descambar no puro ceticismo, lembro que o exercício constante das ciências físico-matemáticas, das ciências biológicas e da pesquisa histórica pode contribuir para a formação de hábitos de atenção e rigor que, provavelmente, irão propiciar o respeito à verdade, o que é sempre um progresso moral. Digo “provavelmente” porque os numerosos exemplos de transgressão da ética científica, movidos por interesses e paixões, não permitem expressões de otimismo exagerado.

Permanece inquietante a questão de formar a criança e o jovem para valores que ainda constituem o ideal do nosso tão sofrido bípede implume. O malogro da educação liberal-capitalista nos aflige como, em outro contexto, nos teria afligido um projeto de educação totalitária. Esta impõe, mediante a violência do Estado, a passividade inerme do cidadão, ao qual só resta obedecer aos ditames do partido dominante. Conhecemos o que foi a barbárie nazifascista, a barbárie stalinista, a barbárie maoísta. De outra natureza é a barbárie que vivemos no aqui-e-agora do consumismo irresponsável, dos lobbies farmacêuticos, do desrespeito ao ambiente, das violações dos direitos humanos fundamentais, da imprensa facciosa e venal, dos partidos de aluguel, da intolerância ideológica dos grupelhos, da arrogância dos formadores de opinião espalhados pela mídia e pelas universidades.

Um plano oficial de educação pouco poderia fazer para alterar esse iminente risco de desintegração que afeta a sociedade civil, atingindo classes e estamentos diversos; mas que ao menos se faça esse pouco!

Alfredo Bosi. A valorização dos docentes é a única forma de construir uma escola eficiente.
Chega de proletários do giz. In: Carta Capital. Ano XIX, n.º 781, p. 29 (com adaptações).

Acerca das ideias desenvolvidas no texto acima e das estruturas linguísticas nele empregadas, julgue o item.

A preposição “para”, tanto em “para valores que ainda constituem o ideal do nosso tão sofrido bípede implume” (l.11-12) quanto em “para alterar esse iminente risco de desintegração que afeta a sociedade civil” (l.18), introduz orações que exprimem finalidade.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A questão foi julgada ERRADO porque a preposição para cumpre funções diferentes nos dois trechos.

Em "para alterar esse iminente risco...", para + verbo no infinitivo introduz uma redução de oração que indica finalidade, equivalente a para que se alterasse, ou seja, é uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo.

Já em "para valores que ainda constituem o ideal...", para não expressa finalidade, mas integra o complemento do verbo formar, que aqui é transitivo direto e indireto (VTDI): a criança e o jovem = objeto direto; para valores = objeto indireto.

Portanto, a afirmação é falsa porque só no segundo exemplo a preposição introduz finalidade; no primeiro, ela introduz objeto indireto.

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