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Questão FC130710

Chovia. Nas bancas de jornal do Rio de Janeiro, no dia 31 de março de 1964, o Correio da Manhã, jornal liberal, estampava o editorial com o título: “Basta!”. Nele, lia-se: “Até que

Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)

CEBRASPE (CESPE) · 2014

Chovia. Nas bancas de jornal do Rio de Janeiro, no dia 31 de março de 1964, o Correio da Manhã, jornal liberal, estampava o editorial com o título: “Basta!”. Nele, lia-se: “Até que ponto o presidente da República abusará da paciência da Nação? Até que ponto pretende tomar para si, por meio de decretos, leis, a função do poder legislativo?” No dia seguinte, o mesmo jornal publicou outro editorial. O título — “Fora!” — indicava o clima de radicalização política a que o país tinha chegado: “Fora! A Nação não mais suporta a permanência do Sr. João Goulart à frente do governo. Chegou ao limite final a capacidade de tolerá-lo por mais tempo. Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!”

Marco Antonio Villa. Ditadura à brasileira: 1964-1985, a democracia golpeada à esquerda e à direita. São Paulo: LeYa, 2014, p. 16-8 (com adaptações).

Tendo como referência o fragmento de texto acima, julgue o próximo item.

Entre os recursos linguísticos utilizados no trecho apresentado, destacam-se: a forma como se inicia o relato, semelhante à do tradicional início de narrativas ficcionais, como evidenciam o emprego do pretérito imperfeito associado ao retardamento da apresentação do fato principal — “o editorial com o título: Basta!” —, e as citações, que atualizam o passado.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Chovia. funciona como um começo típico de narrativa ficcional porque usa o pretérito imperfeito para assinalar um pano de fundo contínuo, preparar a cena e, com isso, promover o retardamento da informação principal, que só é nomeada em seguida, em "o editorial com o título: Basta!". Esse procedimento cria expectativa e orienta o leitor para o acontecimento que virá.

Além disso, as inserções diretas do jornal, como "Basta!" e "Fora!", atuam como citações que atualizam o passado, dando imediaticidade ao relato e reproduzindo a voz jornalística, o que reforça o caráter de crise e radicalização política. Por esses motivos, a afirmação foi julgada como certa.

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