Questão FC201029
Embora manifestações culturais de periferia, como o funk, contem hoje com reconhecimento pelo Estado, uma parte considerável da opinião pública tende a afirmar, por exemplo, que “f
Cultura e Sociedade
FGV · 2024
Embora manifestações culturais de periferia, como o funk, contem hoje com reconhecimento pelo Estado, uma parte considerável da opinião pública tende a afirmar, por exemplo, que “funk não é cultura”.
A concepção de cultura implícita nessa afirmação é a de cultura
- entendida como um conceito inclusivo que abrange todas as formas de expressão e prática social.
- interpretada sob a lente modernista, valorizando a inovação e as expressões artísticas contemporâneas.
- vista por meio de uma perspectiva hierárquica, na qual algumas formas são mais legítimas do que outras.
- percebida como algo sem valor ou irrelevante, questionando a sua importância utilitária.
- tomada como aquilo que diz respeito unicamente às manifestações de origens populares.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa correta é a letra C, que afirma que a concepção de cultura expressa na frase "funk não é cultura" é vista por meio de uma perspectiva hierárquica, na qual algumas formas são mais legítimas do que outras.
Essa perspectiva hierárquica de cultura implica que existem diferentes níveis ou categorias dentro das manifestações culturais. Nesse contexto, algumas expressões são consideradas superiores ou mais legítimas do que outras, frequentemente baseadas em critérios elitistas ou estéticos que excluem culturas periféricas.
A negativa do funk como cultura ilustra claramente esse preconceito. Ao afirmar que "funk não é cultura", está-se sugerindo que essa expressão popular, que emerge das periferias, não tem a sofisticação ou os atributos necessários para ser reconhecida como arte ou cultura válida.
Essa postura não só desvaloriza manifestações culturais consideradas fracas ou inferiores, mas também promove uma exclusão cultural que reforça desigualdades sociais. A hierarquia implícita neste tipo de julgamento sustenta a crença de que certos grupos têm a autoridade para definir o que é e o que não é cultura, negando assim o valor das expressões que vêm de contextos menos privilegiados.
Em resumo, a alternativa C nos ajuda a entender como a cultura é muitas vezes percebida de forma desigual, refletindo preconceitos e hierarquias que precisam ser constantemente questionados e desconstruídos.
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