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Questão FC201036

Interseccionalidade é a interação ou sobreposição de fatores sociais que definem a identidade de uma pessoa e a forma como isso irá impactar sua relação com a sociedade e seu acess

Cultura e Sociedade

FGV · 2024

Interseccionalidade é a interação ou sobreposição de fatores sociais que definem a identidade de uma pessoa e a forma como isso irá impactar sua relação com a sociedade e seu acesso a direitos. (...) O conceito foi criado em 1989 por Kimberlé Crenshaw no contexto do movimento de mulheres negras dos Estados Unidos. Kimberlé é estudiosa da teoria crítica racial, área de estudo que analisa o racismo como algo naturalizado por meio de instituições e leis e não apenas como ações isoladas de indivíduos.

 

(disponível em https://www.tjdft.jus.br/acessibilidade/publicacoes/sementes-da-equidade/o-que-e-interseccionalidade#)

 

A esse respeito, é correto afirmar que

  1. a pauta identitária é um retrocesso na discussão política do Brasil, uma vez que segrega as pessoas em grupos, o que dificulta o diálogo democrático.
  2. as questões de gênero, etnia, raça, localização geográfica ou mesmo idade não afetam a coletividade, pois as pessoas devem ser consideradas enquanto indivíduos, com toda a sua complexidade.
  3. os desafios enfrentados pelas mulheres pertencentes a grupos diversos, ou seja, brancas, afrodescendentes, indígenas, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência, entre outras, não se caracterizam como uma forma de opressão, uma vez que o Estado adota políticas amplas para suprir possíveis dificuldades.
  4. as pessoas negras são a maioria das vítimas de violência letal, sendo as mulheres negras a maioria das vítimas de feminicídio e os jovens negros, a maioria dos mortos em decorrência de intervenção policial.
  5. o conceito de discriminação múltipla coincide com o de interseccionalidade, uma vez que esta ocorre em relação apenas aos critérios de raça e classe.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa D destaca um aspecto crucial da interseccionalidade ao mencionar que as pessoas negras são a maioria das vítimas de violência letal. Essa afirmação é suportada por dados que mostram uma disparidade alarmante nas taxas de violência que afetam essa população.

Em particular, ao afirmar que as mulheres negras são a maioria das vítimas de feminicídio, a alternativa traz à tona a interseção entre raça e gênero, evidenciando como essas duas dimensões da identidade contribuem para a vulnerabilidade dessas mulheres.

Além disso, o trecho que menciona que os jovens negros são a maioria dos mortos em decorrência de intervenção policial reforça a ideia de que o racismo estrutural não é apenas uma questão de atitudes individuais, mas uma realidade que permeia as instituições, influenciando as políticas de segurança pública e suas práticas.

Esse contexto ilustra a necessidade de políticas públicas que considerem a interseccionalidade, buscando soluções que abordem as múltiplas formas de opressão que grupos marginalizados enfrentam, ao invés de tratar as questões de raça e gênero de forma isolada.

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