Questão FC201050
Estátua de Borba Gato incendiada em julho de 2021 (São Paulo) in: https://vejasp.abril.com.br/ A queima da estátua do bandeirante Borba Gato foi uma manifestação violenta do debate
Cultura e Sociedade
FGV · 2024

Estátua de Borba Gato incendiada em julho de 2021 (São Paulo) in: https://vejasp.abril.com.br/
A queima da estátua do bandeirante Borba Gato foi uma manifestação violenta do debate acerca da memória histórica da violência sofrida por grupos subalterizados de nossa sociedade.
Assinale a afirmativa que caracteriza corretamente as posições desse debate.
- Para o poder público, danos contra o patrimônio são ilícitos, mas também sinalizam a falta de representatividade na escolha dos personagens homenageados e a necessidade de desenvolver uma política pública de memória mais democrática e inclusiva.
- Para os ativistas que incendiaram a estátua, o ato de vandalismo foi revolucionário e legítimo, assentado em um programa iconoclasta mais geral pelo qual todo monumento é a celebração de um setor hegemônico a ser eliminado.
- Para os especialistas - historiadores, arqueólogos e arquivistas -, as estátuas são documentos que servem como fonte de celebração dos heróis, estadistas e líderes militares do passado, por isso seu ataque é incompreensível e injustificado.
- Para os museólogos contemporâneos, os monumentos devem ser removidos e armazenados nas instituições de guarda, de modo que o passado seja preservado e possa ser exposto para soldar a memória pátria.
- Para os movimentos sociais, os monumentos dos construtores da história pátria servem para cimentar um sentimento coletivo de pertencimento a um povo e a uma nação, devendo ser estudados e conservados.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa A destaca que, para o poder público, danos ao patrimônio são considerados ilícitos, ou seja, vão contra a lei e a ordem pública.
No entanto, o texto também aponta que esses atos podem ser compreendidos como uma manifestação de insatisfação com a falta de representatividade no reconhecimento de figuras históricas. Isso sinaliza uma demanda por um debate mais inclusivo acerca de como a memória coletiva é construída e celebrada.
O poder público deve, portanto, reconhecer a necessidade de desenvolvimento de políticas públicas que promovam uma memória mais democrática e plural. Isso envolve a reflexão e a revisão dos elementos que compõem o patrimônio histórico, garantindo que eles representem todas as vozes da sociedade.
Essa abordagem procura reconciliar a preservação do patrimônio histórico com a reparação de injustiças históricas cometidas contra grupos marginalizados. É essencial que a sociedade se envolva nesse processo, promovendo discussões que considerem diferentes perspectivas e reconheçam a complexidade da história nacional.
Assim, a alternativa é acertada na medida em que apresenta um convite à reflexão e à ação do poder público, sustentando que a preservação da memória deve também incluir o diálogo e a inclusão social.
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