Questão FC201057
Para publicar em periódicos da metrópole, deve-se escrever seguindo os géneros da metrópole, citar a literatura da metrópole e tornar-se parte do discurso lá produzido. Para um cie
Interação Social e Vida Cotidiana
FGV · 2023
Para publicar em periódicos da metrópole, deve-se escrever seguindo os géneros da metrópole, citar a literatura da metrópole e tornar-se parte do discurso lá produzido. Para um cientista social, isso significa tanto descrever sua própria sociedade como se fosse a metrópole, suprimindo sua especificidade histórica, ou descrevê-la em termos comparativos, situando sua especificidade nos parâmetros da metrópole. Esse “metrocentrismo” da imaginação sociológica é mais evidente nas teorias da "globalização". De todos os tópicos sociológicos, é nesse que as relações entre metrópole e periferia são mais nítidas. Ainda assim, a abundante literatura sociológica feita no Norte frequentemente projeta características da modernidade ou pós-modernidade da metrópole para outros espaços. Uma estratégia de resistência à essa situação, é a busca por sistemas indígenas de conhecimento, entendidos como contextos para produção de um conhecimento que esteve originalmente fora do sistema euro-centrado e que talvez ainda possa estabelecer uma base para autonomia.
CONNELL, Raewyn. A iminente revolução na teoria social. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v.27, n. 80, 2012. (Adaptado)
As afirmativas a seguir apresentam interpretações coerentes do texto, à exceção de uma. Assinale-a.
- O autor critica a dimensão geopolítica da produção de conhecimento sociológico.
- O autor rompe com o referencial analítico apoiado por antagonismos que perpetuam as primazias geográficas.
- O autor identifica o pluralismo epistemológico que questiona a hegemonia de determinadas regiões globais.
- O autor enfatiza o limite da interpretação de eventos internacionais a partir de determinadas categorias sociológicas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Na alternativa correta (B), afirmamos que o autor rompe com o referencial analítico apoiado por antagonismos que perpetuam as primazias geográficas.
Essa afirmação reflete a crítica que Connell faz à metropolização do conhecimento e à forma como teorias sociológicas predominantes tendem a universalizar experiências baseadas em contextos específicos da metrópole, como se fossem aplicáveis a todas as realidades sociais.
Conforme o texto, o metrocentrismo resulta em uma visão que suprime as particularidades históricas e sociais dos contextos periféricos, fazendo com que estes sejam descritos à luz dos parâmetros da metrópole. Ao romper com esses antagonismos, Connell propõe uma visão mais inclusiva e menos hierárquica, valorizando sistemas indígenas de conhecimento que reconheçam as especificidades e a autonomia de diferentes contextos.
Dessa forma, a alternativa (B) é coerente, pois enfatiza a busca por um novo referencial analítico que não perpetue a ideia de que alguma localidade é superior a outra, mas que, ao contrário, promova a valorização das diversidades culturais e epistemológicas.
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