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Questão FC201157

Em uma das primeiras aulas de sociologia no Ensino Médio, o docente propõe um exercício de desnaturalização da instituição escolar, partindo da leitura do trecho a seguir sobre a e

Educação

FGV · 2023

Em uma das primeiras aulas de sociologia no Ensino Médio, o docente propõe um exercício de desnaturalização da instituição escolar, partindo da leitura do trecho a seguir sobre a escola:


“É provavelmente por um efeito de inércia cultural que continuamos tomando o sistema escolar como um fator de mobilidade social, segundo a ideologia da “escola libertadora”, quando, ao contrário, tudo tende a mostrar que ele é um dos fatores mais eficazes de conservação social, pois fornece a aparência de legitimidade às desigualdades sociais, e sanciona a herança cultural e o dom social tratado como dom natural.”


BOURDIEU, P. A escola conservadora: As desigualdades frente à escola e à cultura. In: BOURDIEU, P. Escritos de Educação. Petrópolis: Vozes, 2007, p. 41.


Com base no trecho, os alunos concluem que, para o autor, a educação escolar é um instrumento de

  1.  socialização, pois promove um processo de adaptação dos alunos ao grupo, tornando-os membros funcionais da sociedade.
  2.  superação das desigualdades, uma vez que a educação promove a ascensão social e quebra o círculo vicioso da degradação social.
  3.  violência simbólica, vale dizer, criação do espaço simbólico em que as disputas pelo poder ocorrem e produzem, paulatinamente, uma desalienação.
  4.  reprodução cultural e social, pois a escola transmite e legitima a cultura da elite, nivelando os estudantes por esse padrão e explicando o êxito em termos de aptidão.
  5.  construção do ethos de classe, uma vez que a convivência de alunos com origens sociais diversas promove um sentimento de pertencimento à classe escolar, igualando as diferenças.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Alternativa D: reprodução cultural e social, pois a escola transmite e legitima a cultura da elite, nivelando os estudantes por esse padrão e explicando o êxito em termos de aptidão.


A alternativa D sintetiza bem a crítica de Pierre Bourdieu à escola clássica como um espaço que, ao invés de promover a mobilidade social, reforça e reproduz as desigualdades já existentes na sociedade.


No entendimento de Bourdieu, a escola atua como um instrumento de reprodução, pois transmite a cultura da elite aos alunos. Isso significa que os estudantes que têm origem em famílias com maior capital cultural e social tendem a se sair melhor no ambiente escolar.


Além disso, a escola propõe um nivelamento por meio de padrões de sucesso que, na realidade, favorecem aqueles que já possuem bagagem cultural e letramento. Quando se fala em êxito, a ênfase é dada à aptidão, entendida como uma propriedade quase natural dos alunos que são mais “adaptados” ou que vêm de contextos sociais privilegiados.


Portanto, a ideia central da alternativa D destaca que o papel da escola vai além do que muitos acreditam. Ao invés de ser um espaço de igualdade e oportunidades, ela contribui para a manutenção das desigualdades sociais, legitimando assim as diferenças entre os grupos sociais.

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