Questão FC201169
Leia o poema da poetisa afrodescendente Conceição Evaristo com um olhar sociológico a respeito dos marcadores sociais que produzem a diferença. De meu corpo ofereço as minhas frute
Gênero e Sexualidade
FGV · 2022
Leia o poema da poetisa afrodescendente Conceição Evaristo com um olhar sociológico a respeito dos marcadores sociais que produzem a diferença.
De meu corpo ofereço
as minhas frutescências,
e ao leve desejo-roçar
de quem me acolhe,
entrego-me aos suados,
suaves e úmidos gestos
de indistintas mãos e
de indistintos punhos,
pois na maturação da fruta,
em sua casca quase-quase
rompida,
boca proibida não há.
EVARISTO, Conceição, “Da partilha do fruto”. Poemas da recordação e outros movimentos. Belo Horizonte: Nandyala, 2008.
Assinale a afirmativa que interpreta corretamente a que marcador de diferença social está relacionado o poema citado.
- Ao tema da etnia, visto que nega a qualificação dos sujeitos em função da percepção de sua origem e ancestralidade.
- À questão de gênero, pois desconsidera a classificação de comportamentos sexuais com base na percepção do que é masculinidade e feminilidade.
- Ao conceito de classe social, já que usa a poesia como um elemento de empoderamento e superação da classificação de indivíduos com base em critérios socioeconômicos.
- À categoria de geração, uma vez que o ciclo da fruta se refere à ordenação das pessoas por idade que prevalece em nossa sociedade.
- Ao problema racial, ao denunciar a vulnerabilidade das mulheres negras na sociedade brasileira e a violência histórica à qual têm sido submetidas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Alternativa B: À questão de gênero, pois desconsidera a classificação de comportamentos sexuais com base na percepção do que é masculinidade e feminilidade.
Essa alternativa é considerada correta porque o poema de Conceição Evaristo propõe uma reflexão sobre o corpo e a corporeidade, elementos que são centrais nas discussões de gênero.
No verso "De meu corpo ofereço", a poetisa estabelece uma relação direta com a própria corporeidade, abraçando as diversas formas de ser e sentir que vão além das imposições sociais de masculinidade e feminilidade.
Os termos "de indistintas mãos e de indistintos punhos" sugerem que não existem divisões rígidas ou estereótipos que delimitem quem pode tocar ou experimentar esse corpo. Essa visão é um convite à liberdade e à expressão de desejos sem a necessidade de se adaptar a padrões pré-estabelecidos.
Ademais, a frase "boca proibida não há" enfatiza essa ideia de que não há restrições ou tabus quanto ao desejo e à experiência, promovendo uma visão inclusiva e pluralista sobre a sexualidade.
Assim, o poema sobeja na sua capacidade de abordar a questão de gênero de forma sutil, ressaltando a complexidade das relações humanas sem se prender a normas sociais tradicionais.
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