Questão FC201184
O esquecimento do passado colonial e do passado da imigração é conveniente e necessário para a construção da memória da “velha” imigração como pouco problemática, composta quase ex
Raça, Etnia e Migração
FGV · 2023
O esquecimento do passado colonial e do passado da imigração é conveniente e necessário para a construção da memória da “velha” imigração como pouco problemática, composta quase exclusivamente de “brancos”, e a construção da Europa Ocidental e de alguns países da América, principalmente os Estados Unidos, Canadá e Argentina como países essencialmente brancos. A ideia da “imigração branca” só podia surgir com o esquecimento da racialização dos povos da periferia da Europa no passado, tratados como outras “raças” essencialmente inferiores. Assim como, o esquecimento das múltiplas intervenções políticas do passado para inibir ou proibir a imigração de não europeus e manter a predominância de brancos nos principais países de imigração da Europa, da América do Norte e da Oceania.
MONSMA, Karl; TRUZZI, Oswaldo. Amnésia social e representações de imigrantes: consequências do esquecimento histórico e colonial na Europa e na América. Sociologias, v.20, nº 49, 2018.
As afirmativas a seguir apresentam interpretações corretas sobre o processo de migração e suas representações no mundo ocidental tratados no trecho, à exceção de uma. Assinale-a.
- O trecho diversifica o conhecimento sobre experiências migratórias ao considerar o fator histórico dos movimentos.
- O autor explica a origem da representação de todos os imigrantes como usurpadores de saídas laborais.
- O autor revela o processo de memória seletiva que produz representação inferior de certas regiões.
- O trecho apresenta o processo de racialização de certos grupos de migrantes em relação a outros.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Na alternativa B, o autor se refere à representação dos imigrantes como usurpadores de saídas laborais. Essa afirmação, no entanto, não é corroborada pelo texto. O trecho analisado discute a construção de uma memória coletiva que minimiza ou esquece o passado colonial e as políticas de imigração que favoreceram brancos, sem mencionar que os imigrantes são considerados usurpadores de oportunidades de trabalho.
Em vez disso, a análise sugere que essa visão simplificada e racializada da imigração é fruto de uma amnésia social, que ignora as complexidades e as desigualdades presentes nas histórias de imigração.
Desse modo, afirmar que o autor explica a origem dessa representação dos imigrantes como usurpadores de saídas laborais não se alinha com a proposta apresentada no texto. O foco está mais na distorção da memória histórica e na racialização de grupos considerados inferiores no contexto das migrações, e não em uma narrativa de usurpação.
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