Questão FC201232
Em obra seminal, Iamamoto e Carvalho (1988) analisam e discutem o controle da força de trabalho como uma função do assistente social desde a sua gênese. Para Iamamoto (2007), as co
Histórico do Serviço Social no Brasil e no Mundo
FGV · 2024
Em obra seminal, Iamamoto e Carvalho (1988) analisam e discutem o controle da força de trabalho como uma função do assistente social desde a sua gênese.
Para Iamamoto (2007), as configurações atuais do mundo do trabalho recolocam essa discussão no sentido de que, ao atuar profissionalmente, o assistente social:
- corrobora a determinação inicial de ser mero executor terminal de políticas sociais;
- atua ideologicamente sobre os usuários que atende no cotidiano, reforçando os valores institucionais;
- colide com o princípio de pluralidade defendido pela totalidade dos documentos profissionais;
- colabora para um novo tipo de socialização do trabalhador e sua família;
- utiliza a coerção como instrumento para dirigir o trabalhador para um determinado objetivo.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Alternativa D: colabora para um novo tipo de socialização do trabalhador e sua família.
Esta alternativa é correta porque reflete a compreensão crítica proposta por Iamamoto e Carvalho sobre o papel do assistente social nas configurações do trabalho contemporâneo. A função do assistente social, de acordo com esses autores, vai além da mera gestão de políticas sociais; envolve processos de socialização que impactam diretamente a vida do trabalhador e de sua família.
A socialização do trabalhador se refere a como os trabalhadores e seus familiares são moldados e adaptados às exigências do sistema capitalista, não apenas no ambiente de trabalho, mas também em suas vidas cotidianas. Isso implica na criação de novas relações sociais e na internalização de valores que promovem a produtividade e a conformidade ao modo de vida industrial.
Os assistentes sociais, portanto, são mediadores nesse processo, contribuindo para a adaptação dos trabalhadores às demandas do mercado. Essa função é vista como uma forma de reprodução das relações sociais que buscam garantir a continuidade do sistema produtivo. Assim, a socialização promovida pelo assistente social é uma ferramenta estratégica dentro da organização capitalista, incutindo não apenas habilidades e conhecimentos, mas também um conjunto de valores e comportamentos que favorecem o ambiente de trabalho e a dinâmica familiar.
Portanto, a alternativa D sintetiza a crítica de que o Serviço Social não atua apenas em questões pontuais de assistência, mas desempenha um papel fundamental na formação da subjetividade dos trabalhadores, impactando suas vidas e de suas famílias dentro da lógica do capital.
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