Questão FC202645
A reestruturação do capital, notadamente após a crise estrutural dos anos 1970, provocou a reorganização e gestão do trabalho, bem como o modo de produzir. Esta reorganização tem c
Debate Contemporâneo em Serviço Social
FGV · 2022
A reestruturação do capital, notadamente após a crise estrutural dos anos 1970, provocou a reorganização e gestão do trabalho, bem como o modo de produzir. Esta reorganização tem convertido, paulatinamente, os espaços de trabalho em espaços de adoecimento.
Na análise de Antunes (2018), o aumento dos processos de adoecimento psíquico entre os trabalhadores possui como base
- o toyotismo e suas novas formas de gerenciamento do tempo de labor.
- a introdução da eletrocomputrônica.
- o redesenho das plantas das fábricas.
- o sucateamento das políticas e serviços de saúde universais.
- a diminuição das estratégias coletivas de defesa entre trabalhadores.
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Comentário do professor
A alternativa E afirma que a diminuição das estratégias coletivas de defesa entre trabalhadores é a base para o aumento dos processos de adoecimento psíquico, segundo a análise de Antunes (2018).
Este ponto é crucial para entender a dinâmica das condições de trabalho contemporâneas. Ao longo das últimas décadas, os trabalhadores têm enfrentado um cenário de crescente precarização e individualização. A fragmentação das relações de trabalho e a redução das formas de organização coletiva dificultam a coletiva resistência às pressões impostas pelos empregadores.
Antunes destaca que, enquanto os novos modelos de gestão aumentam as demandas e o controle sobre o trabalho, há uma tensão crescente devido à ausência de solidariedade entre os trabalhadores. Com menos estratégias coletivas de defesa, os trabalhadores tornam-se mais vulneráveis ao estresse e à ansiedade, já que enfrentam os desafios do ambiente laboral de forma isolada.
A diminuição da capacidade de defesa coletiva não apenas contribui para o aumento do adoecimento psíquico, mas também enfraquece o senso de comunidade e apoio, que historicamente serviram como mecanismos de proteção em tempos de crise no trabalho. Assim, o que Antunes propõe não é apenas uma crítica às condições de trabalho, mas um chamado à reflexão sobre a importância da organização e solidariedade entre os trabalhadores como formas de resistência à precarização.
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