Questão FC202659
Os estudos sobre o serviço social e o trabalho com famílias identificam que há uma centralidade da família nas políticas sociais, no capitalismo dependente. Essa centralidade das p
Debate Contemporâneo em Serviço Social
FGV · 2024
Os estudos sobre o serviço social e o trabalho com famílias identificam que há uma centralidade da família nas políticas sociais, no capitalismo dependente.
Essa centralidade das políticas públicas tende a acarretar, para as famílias da classe trabalhadora,
- aumento dos gastos públicos com as famílias da classe trabalhadora.
- sobrecarga e culpabilização das famílias, principalmente das mulheres.
- sobrecarga e judicialização das famílias, principalmente dos homens.
- aumento das demandas aos serviços públicos.
- o fenômeno do familismo.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Alternativa B: sobrecarga e culpabilização das famílias, principalmente das mulheres.
Essa alternativa destaca uma consequência crítica da centralidade da família nas políticas sociais, especialmente sob um modelo de capitalismo dependente.
A proposta familista, conforme descrita nos estudos de Mioto (2015), implica que a família deve ser a principal responsável pelo bem-estar de seus membros. Assim, quando políticas públicas focam a família como a unidade central de atendimento, muitas vezes a responsabilidade pelo cuidado e pela sobrevivência recai sobre suas próprias estruturas. Isso gera uma sobrecarga para essas famílias, que são demandadas a suprir necessidades que poderiam ser atendidas pelo Estado.
Ademais, a ideia de que a família é a solucionadora primária de problemas sociais coloca as mulheres em uma posição ainda mais vulnerável. Historicamente, as mulheres são as que mais assumem a responsabilidade pelo trabalho de cuidado, sendo assim, tornam-se alvo de culpabilização quando as condições de vida não são satisfatórias. Essa situação é especialmente evidente nas famílias da classe trabalhadora, que após a desregulamentação do mercado de trabalho e a redução de políticas públicas, enfrentam enormes dificuldades sem a devida assistência.
Portanto, a alternativa B é correta porque reflete como a visão familista nas políticas sociais não apenas amplifica a carga sobre as famílias, mas também perpetua uma lógica de culpabilização, colocando a responsabilidade pelo bem-estar familiar nas mães e cuidadoras, quando deveria haver um maior suporte do Estado.
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