Questão FC202660
Ao analisar o trabalho com famílias, (Mioto, 2015) expressa que, particularmente no contexto do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), pós-2004, houve uma ratificação de conce
Debate Contemporâneo em Serviço Social
FGV · 2024
Ao analisar o trabalho com famílias, (Mioto, 2015) expressa que, particularmente no contexto do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), pós-2004, houve uma ratificação de concepção e definição de funções para a família e a proteção social.
Ela, a família, além de ser o centro das atenções socioassistenciais, é concebida como a unidade primeira de proteção de seus membros e deve ter, portanto, centralidade para a concepção e implementação dos benefícios, serviços, programas e projetos da política de assistência social.
No âmbito do Estado, em especial da política da de assistência social, a matricialidade sociofamiliar tem sido fundamentada nos valores burgueses que consideram a família como instituição social privada e a impregna de responsabilidades na proteção dos seus indivíduos.
Assim, ainda hoje, na família se reproduz o papel protetivo e essa responsabilidade
- é compartilhada igualmente entre homens e mulheres; constituindo uma relação simétrica.
- não se evidencia na divisão sexual do trabalho, quando analisada.
- repercute na esfera da produção, em decorrência do exercício de cuidado na família, exercido em maior escala, pelos homens.
- incide fundamentalmente na esfera da reprodução social, exercido majoritariamente pelos homens.
- recai ainda mais sobre a mulher, colocando-a no lugar do cuidado, da proteção e da esfera do doméstico.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
E) recai ainda mais sobre a mulher, colocando-a no lugar do cuidado, da proteção e da esfera do doméstico.
Essa alternativa é considerada correta porque reflete uma realidade social evidenciada nas discussões sobre a política de assistência social e a função das famílias, conforme abordado por Mioto (2015).
A autora ressalta que a perspectiva familista atribui à família a responsabilidade primária pela proteção e bem-estar de seus membros. Assim, quando algo dá errado, é a família — especialmente as mulheres — que acaba sendo a mais sobrecarregada. Essa dinâmica é amplamente observada nas relações sociais contemporâneas, onde as mulheres frequentemente assumem o papel de cuidadoras, tanto dentro do lar quanto no contexto da assistência social.
Além disso, a afirmação da alternativa evidencia a injusta divisão de responsabilidades que recai desproporcionalmente sobre as mulheres. Trata-se de um padrão que perpetua a ideia de que cuidar dos outros e administrar o lar é uma função intrínseca ao papel feminino, relegando as mulheres à esfera do doméstico.
Portanto, essa alternativa coloca em evidência a crítica à estrutura atual da política de assistência social, que muitas vezes ignora a necessidade de um suporte mais amplo e equitativo, abrindo um espaço para reflexões sobre como essa atribuição de papéis pode gerar carga emocional e pressão adicionais sobre as mulheres.
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