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Questão FC202864

Leia o trecho na seguir. São grandes os riscos de que as ações oriundas da sociedade civil e da iniciativa privada desloquem a noção histórica de direitos pessoais e coletivos, ins

Políticas Públicas e Serviço Social

FGV · 2025

Leia o trecho na seguir. 

 

São grandes os riscos de que as ações oriundas da sociedade civil e da iniciativa privada desloquem a noção histórica de direitos pessoais e coletivos, instituídos na recente ordenação democrática da sociedade brasileira, para antigas relações sociais mediadas pela noção de benevolência, caridade, compaixão etc., reforçando a cultura pautada por relações afetivas de dependência – matriz de políticas impregnadas pelo paternalismo, clientelismo e populismo. 

 

PEREZ, J. R. R.; PASSONE, E. F. Políticas sociais de atendimento às crianças e aos adolescentes no Brasil. Cadernos de Pesquisa, v. 40, n. 140, 2010.

 

O trecho acima indica dois modos distintos de pensar políticas públicas. A cultura de direitos distingue-se da mera caridade porque

  1. está baseada nos valores da prática voluntária do bem pelos atores do Estado.
  2. promove a autonomia de cada indivíduo ao cortar as relações de subordinação social.
  3. depende da força de sustentação dos diversos entes da iniciativa privada.
  4. resulta na exclusão de grupos sociais que não têm acesso a ações caridosas.
  5. coloca os direitos individuais em relação de dependência em relação a grupos políticos.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa correta (B) destaca que a cultura de direitos promove a autonomia de cada indivíduo ao cortar as relações de subordinação social. Esse conceito é fundamental na compreensão de políticas públicas voltadas à cidadania e à justiça social.

Quando falamos em cultura de direitos, referimo-nos a um modelo que visa assegurar que todos os indivíduos sejam reconhecidos como sujeitos de direitos. Isso implica um acesso igualitário a oportunidades e recursos, independente de suas condições sociais, étnicas ou econômicas.

Ao cortar relações de subordinação, essa abordagem dissolve hierarquias que muitas vezes estão presentes em práticas assistencialistas, como a caridade, que tendem a criar vínculos de dependência. Em vez disso, a cultura de direitos busca empoderar os indivíduos, promovendo sua capacidade de agir e tomar decisões por si mesmos.

Essa autonomia é um pilar importante, pois uma sociedade que respeita e garante direitos fortalece a cidadania, permitindo que cada pessoa se torne um agente ativo na busca por transformações sociais. Assim, essa alternativa evidencia a crítica à remoção de práticas assistencialistas que perpetuam ciclos de dependência, em favor de um modelo que promove a emancipação e a igualdade para todos.

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