Questão FC203143
De acordo com Alencar (2013), “a inserção subalterna e passiva do país no processo de reestruturação econômica mundial, ainda que travestida por ‘ares de modernidade’, deixou como
Políticas Públicas e Serviço Social
FGV · 2024
De acordo com Alencar (2013), “a inserção subalterna e passiva do país no processo de reestruturação econômica mundial, ainda que travestida por ‘ares de modernidade’, deixou como legado o agravamento da questão social, visível no aumento do desemprego e no processo de precarização do trabalho assalariado”.
Nessa conjuntura, o Estado brasileiro empreende uma nova forma de intervenção sobre a questão social, caracterizada pelo(a):
- crítica ao desenvolvimentismo, que privilegia as atividades produtivas e comerciais;
- proteção ao poder organizativo dos trabalhadores, partícipes da homogeneização da estrutura ocupacional;
- direito ao trabalho, pois ele garante a autonomia nas esferas da produção e reprodução social;
- redução da ação estatal no âmbito do bem-estar social, canalizando os gastos para os grupos carentes;
- gerenciamento da política social universal, protegendo os segmentos mais vulneráveis economicamente.
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Gabarito
D
Comentário do professor
D) redução da ação estatal no âmbito do bem-estar social, canalizando os gastos para os grupos carentes.
Essa alternativa é considerada correta porque reflete a nova lógica da intervenção estatal na questão social sob a influência do neoliberalismo. Nesse contexto, o Estado brasileiro adota uma postura de redução da sua atuação tradicional no bem-estar social.
A ideia central aqui é que, em vez de promover políticas sociais universais que atendem a toda a população, o Estado passa a focar seus recursos de forma segmentada, direcionando-o especificamente para os segmentos considerados "carentes". Essa mudança implica uma transformação na natureza das políticas sociais, que deixam de ser abrangentes e inclusivas.
Conforme discutido por autores como Behring e Boschetti, o neoliberalismo propõe uma intervenção que não pretende eliminar as políticas sociais, mas as reconfigura. Essa intervenção é caracterizada por uma gestão da pobreza, onde os recursos são distribuídos de maneira focalizada, muitas vezes com a justificativa de atender emergências e necessidades específicas.
Portanto, a alternativa D sintetiza essa transição, evidenciando um modelo de assistência que se distancía dos princípios de universalidade e integralidade dos direitos sociais, que eram características da política de bem-estar social anterior. Tal abordagem pode resultar em uma fragmentação dos direitos sociais, fortalecendo uma lógica que prioriza o atendimento aos grupos mais vulneráveis, mas com a desresponsabilização do Estado em relação a uma política social que abrace a população como um todo.
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