Questão FC203195
Ana Elizabete Mota (2008) defende que, nos anos 1980, o capitalismo, a fim de evitar uma crise global, procura obter o consentimento da classe trabalhadora para uma série de transf
Políticas Públicas e Serviço Social
FGV · 2024
Ana Elizabete Mota (2008) defende que, nos anos 1980, o capitalismo, a fim de evitar uma crise global, procura obter o consentimento da classe trabalhadora para uma série de transformações e reformas, as quais ela denomina “cultura da crise”.
No presente, a autora afirma que presenciamos no Brasil, sob novas determinações, a reatualização dessa cultura da crise, cujas diretrizes atuais são:
- demandas postas pela classe trabalhadora e securitização laboral;
- organização de novas formas de trabalho e direitos sociais;
- controle dos sindicatos e trabalho domiciliar;
- incentivo ao voluntariado e centralidade da família;
- moralização da política e a fetichização dos ajustes fiscais.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Alternativa Correta (E): moralização da política e a fetichização dos ajustes fiscais.
A alternativa que se destaca apresenta duas diretrizes essenciais da reatualização da cultura da crise, conforme analisado por Ana Elizabete Mota.
Primeiramente, a moralização da política se refere a uma tendência que desloca a responsabilidade pelos problemas sociais para o plano individual. Nesse contexto, indivíduos são responsabilizados por dificuldades estruturais, como a pobreza e a falta de acesso a serviços essenciais. Essa mudança de foco legitima medidas de austeridade e cortes de direitos, passando a ideia de que os problemas podem ser solucionados pela ética pessoal, sem a necessidade de intervenções estruturais.
Em segundo lugar, temos a fetichização dos ajustes fiscais, que implica em tratar as políticas de austeridade e cortes no gasto público como se fossem normas neutras ou inevitáveis. Essa visão oculta o fato de que tais políticas são opções políticas que, muitas vezes, beneficiam o capital em detrimento dos direitos dos trabalhadores. Ao apresentar esses ajustes como soluções técnicas ou morais, reforça-se a ideia de que a retirada de direitos é uma necessidade, desconsiderando suas consequências negativas para a população.
Essas diretrizes, portanto, são partes integrantes de uma estratégia ideológica que busca naturalizar a retirada de direitos sob um discurso moral e técnico, dificultando a percepção crítica das reais causas e responsabilidades dos problemas sociais. Assim, a reatualização da cultura da crise se mantém vigente, perpetuando a lógica de desmonte de políticas sociais e proteções aos trabalhadores.
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