Questão FC213300
Numa investigação sobre o cuidado em saúde das populações ribeirinhas, um pesquisador levantou aspectos históricos, culturais, políticos e ideológicos das categorias “saúde” e “doe
Princípios de Sociologia
CESGRANRIO · 2024
Numa investigação sobre o cuidado em saúde das populações ribeirinhas, um pesquisador levantou aspectos históricos, culturais, políticos e ideológicos das categorias “saúde” e “doença” que não podem ser circunscritos em fórmulas matemáticas ou estatísticas. Entretanto, ele também se apropriou da linguagem de variáveis para especificar atributos e qualidades de seu objeto de investigação, usando dados censitários e indicadores numéricos.
Na perspectiva crítico-dialética, nesse estudo, os dados quantitativos e qualitativos
- são incompatíveis, pois os quantitativos são objetivos e os qualitativos são subjetivos e impressionistas.
- possuem uma oposição complementar, capaz de ampliar informações e conferir maior fidedignidade interpretativa.
- possuem uma hierarquia que os distingue, sendo os dados quantitativos superiores aos qualitativos por permitirem generalizações.
- se contrapõem radicalmente, porque os dados qualitativos se preocupam com um nível de realidade que não pode ser quantificado.
- se equivalem, na medida em que têm como fundamento o princípio da objetividade e linguagem observacional neutra.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Na perspectiva crítico-dialética, a alternativa correta aponta que os dados quantitativos e qualitativos têm uma oposição complementar.
Isso significa que cada tipo de dado tem natureza distinta e, ao mesmo tempo, pode contribuir mutuamente para a compreensão do fenômeno estudado.
Os dados quantitativos oferecem medidas, padrões e possibilidade de generalização (ex.: prevalência de doenças, indicadores socioeconômicos), enquanto os qualitativos explicam sentidos, contextos e processos (ex.: representações culturais sobre saúde, práticas locais de cuidado).
Ao serem articulados, eles ampliam as informações porque unem escala e profundidade: o número mostra "o quanto" e a narrativa mostra "o porquê" e "como".
Essa articulação também confere maior fidedignidade interpretativa, pois a convergência entre evidências numéricas e evidências contextuais permite triangulação, reduz hipóteses equivocadas e enriquece a explicação teórica.
Em estudos sobre populações ribeirinhas, por exemplo, censos podem indicar déficits de acesso a serviços, enquanto entrevistas explicam barreiras culturais, históricas e políticas que justificam esses déficits — combinação que produz interpretações mais robustas e críticas.
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