Questão FC213305
Criticando as exigências de empregabilidade cada vez mais comuns no mercado de trabalho, Pierre Dardot e Christian Laval escreveram que: [...] se deixa de querer prejulgar a eficác
Trabalho e Sociedade
CESGRANRIO · 2024
Criticando as exigências de empregabilidade cada vez mais comuns no mercado de trabalho, Pierre Dardot e Christian Laval escreveram que:
[...] se deixa de querer prejulgar a eficácia do sujeito por títulos, diplomas, status, experiência acumulada, ou seja, a posição que ele ocupa numa classificação, porque passa-se a confiar na avaliação mais fina e regular de suas competências postas efetivamente em prática a todo instante. O sujeito não vale mais pelas qualidades estatutárias que lhe foram reconhecidas durante sua trajetória escolar e profissional, mas pelo valor de uso diretamente mensurável de sua força de trabalho.
LAVAL, C; DARDOT, P. A nova razão do mundo. São Paulo: Boitempo, 2016. p. 351. Adaptado.
A caracterização dos autores acompanha transformações importantes nos dispositivos de Estado e no modo de funcionamento da economia privada.
Nesse sentido, a política econômica mais alinhada à recente reestruturação produtiva e o requisito exigido do trabalhador são, respectivamente, o
- liberalismo e a experiência internacional
- neokeynesianismo e a autoaprendizagem
- desenvolvimentismo e a experiência prática
- neoliberalismo e a certificação de competências
- anarcocapitalismo e a instrução técnico-universitária
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Gabarito
D
Comentário do professor
Alternativa correta: neoliberalismo e certificação de competências
O neoliberalismo privilegia a redução da intervenção estatal, a competição de mercado e a flexibilidade produtiva. Essas políticas estimulam empresas a buscar eficiência por meio de terceirização, avaliação contínua e gestão baseada em resultados, transformando emprego estável em vínculos mais precários e avaliáveis.
Nesse contexto, o trabalhador deixa de ser avaliado por posição social, diplomas ou trajetória e passa a ser valorizado pelo valor de uso mensurável de sua força de trabalho — exatamente o ponto destacado pelo texto de Dardot e Laval.
A certificação de competências surge como instrumento prático desse novo padrão: torna habilidades comparáveis, auditáveis e negociáveis no mercado. Certificados, microcredenciais e testes padronizados permitem medir desempenho "em prática" e subsidiar decisões de contratação e promoção.
Portanto, a alternativa é correta porque o neoliberalismo promove mudanças institucionais que exigem do trabalhador uma forma de prova contínua de capacidade, e a certificação de competências é o mecanismo que operacionaliza essa exigência.
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