Questão FC223424
Nas últimas décadas, a maioria dos Bancos Centrais abandonou a execução da política monetária de forma discricionária e passou a manejá-la através de regras estritas de fixação da
Sistema Financeiro Nacional
CESGRANRIO · 2024
Nas últimas décadas, a maioria dos Bancos Centrais abandonou a execução da política monetária de forma discricionária e passou a manejá-la através de regras estritas de fixação da taxa de juros nominal básica de curto prazo (denominada policy rate). A equação seguinte expressa a regra de Taylor, a mais conhecida regra de política monetária, utilizada por diversos Bancos Centrais que perseguem metas de inflação, explícitas ou implícitas, na atualidade:
\(i_t = r^* + \pi_t + \alpha ( \pi_t - \pi^*) + \beta \left( 100. \frac{Y_t -Y_t^*}{Y_t} \right)\),
em que
i é a taxa de juros nominal básica de curto prazo, fixada
pelo Banco Central;
r* é a taxa de juros real neutra;
\(\pi\) é a taxa de inflação efetivamente observada;
\(\pi^*\) é a meta de inflação;
Y é o PIB real efetivo;
Y* é o PIB real potencial (de pleno-emprego);
a e b são os pesos concedidos pela autoridade monetária
aos objetivos de alcançar a meta de inflação e de atingir o
pleno-emprego, respectivamente;
e os subscritos t são o período de tempo (anual).
Considere um Banco Central que maneje a política monetária, de acordo, estritamente, com a regra de Taylor, conferindo pesos iguais aos objetivos de manter a estabilidade de preços e de atingir o pleno-emprego, ou seja, α e β = 0,5. Admita, adicionalmente, que, ao decidir fixar a taxa de juros nominal básica de curto prazo i, o Conselho de Política Monetária (Copom) desse Banco Central baseie-se nos seguintes indicadores:
r* = 4%
\(\pi_t\)= 6% a.a.
\(\pi^*\) = 3% a.a.
Na hipótese de que o hiato do produto seja igual a zero e o Banco Central se oriente pela regra de Taylor, o Copom deverá fixar a taxa nominal básica de juros de curto prazo i, de tal sorte que essa mesma taxa, em termos reais (isto é, a taxa de juros real básica de curto prazo, ex post), seja
- 1,5 ponto percentual acima da taxa de juros real neutra
- 2,5 pontos percentuais acima da taxa de juros real neutra
- 5,5 pontos percentuais acima da taxa de juros real neutra
- 11,5 pontos percentuais acima da taxa de juros real neutra
- igual à taxa de juros real neutra
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Gabarito
A
Comentário do professor
Aplicando a Regra de Taylor com α = β = 0,5 e hiato do produto nulo, substituímos os dados conhecidos na equação:
\(i_t = r^* + \pi_t + 0{,}5(\pi_t - \pi^*) + 0\)
Logo, \(i_t = 4\% + 6\% + 0{,}5(6\% - 3\%) = 4\% + 6\% + 1{,}5\% = 11{,}5\%\).
A taxa real ex post é dada por \(i_t - \pi_t\): \(11{,}5\% - 6\% = 5{,}5\%\). Comparando com a taxa real neutra \(r^* = 4\%\), a taxa real efetiva fica \(5{,}5\% - 4\% = 1{,}5\%\).
Portanto, a taxa real básica de curto prazo ex post estará 1,5 ponto percentual acima da taxa real neutra.
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