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Questão FC228212

[...] Partindo-se do pressuposto de que, nos sistemas de separação de poderes, processos de negociação entre Executivo e Legislativo são o modus operandi do exercício de governar [

Políticas Públicas e Programas Governamentais

FCC · 2024

[...] Partindo-se do pressuposto de que, nos sistemas de separação de poderes, processos de negociação entre Executivo e Legislativo são o modus operandi do exercício de governar [...] a possibilidade do uso de ações estratégicas e de determinados instrumentos para a formação da legislação não devem ser desconsiderados. Objetivos e estratégias conjugam-se. 

 

Adaptado de: DINIZ, Simone. Interações entre os poderes Executivo a Legislativo no processo decisório: avaliando sucesso & fracasso presidencial. DADOS — Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v. 48, n. 1, pp. 333 a 368, 2005) 

 

Nos anos mais recentes no Brasil, a relação entre os poderes Executivo e Legislativo no processo de políticas públicas caracteriza- se pela 

  1. dificuldade do poder Executivo em aprovar seus projetos de lei devido à inexistência de qualquer instrumento legislativo no rol de suas atribuições constitucionais.
  2. rigidez da agenda governamental, que, uma vez definida e detalhada, impede uma negociação mais flexível junto ao Legislativo, pois não é franqueada a este a possibilidade de sua modificação.
  3. influência pessoal de quem ocupa a presidência, que, com a condição de que detenha eximia capacidade de persuasão, pode aprovar com maior facilidade os projetos de seu interesse.
  4. relação de conflito exacerbado, caracterizado por um jogo de perde e ganha, em que as posições inflexíveis de ambas as partes inviabilizam a solução dos problemas por meio da renovação da legislação.
  5. complexidade crescente do sistema político, que se traduz na criação de mecanismos que garantem uma constante interação entre os poderes tanto em situações de conflito quanto de cooperação.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa aponta para a complexidade crescente do sistema político, que impõe arranjos institucionais e rotinas de interação entre Executivo e Legislativo. Essa dinâmica não elimina a separação de poderes, mas a transforma em um processo contínuo de negociação e ajuste.

Na prática, surgem mecanismos (coalizões partidárias, reuniões interinstitucionais, comissões permanentes, instrumentos legislativos e práticas de articulação) que garantem interação constante entre os poderes. Esses mecanismos permitem trocar apoio, negociar agendas e construir majorias necessárias para a formulação e aprovação de políticas públicas.

Assim, a atuação entre Executivo e Legislativo se caracteriza por alternâncias entre conflito e cooperação, resultando num processo decisório mais complexo e interdependente, em que objetivos estratégicos e instrumentos institucionais se conjugam para produzir governabilidade e controle mútuo.

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