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Questão FC228285

Quando se consideram para análise os lugares onde realizamos atividades corriqueiras, banais, do dia a dia, com os quais temos intimidade, as zonas de sombra do objeto não se revel

Princípios de Sociologia

VUNESP · 2021

Quando se consideram para análise os lugares onde realizamos atividades corriqueiras, banais, do dia a dia, com os quais temos intimidade, as zonas de sombra do objeto não se revelam com facilidade, porque a própria evidência do aparente seduz tanto que obscurece nossa leitura, nosso entendimento do que está oculto, daquilo que é da mais profunda essência do objeto. Na sociedade urbanizada, os lugares onde se realizam as trocas de mercadorias parecem, hoje, especialmente afeitos a refletir luzes que, embora não ceguem, podem impedir-nos de ver com clareza do que realmente se trata.

 

(Silvana Maria Pintaudi. “O consumo do espaço de consumo”. In: Márcio Piñon de Oliveira et al (orgs.). O Brasil, a América Latina e o mundo, 2008.)

 

As intencionalidades dos objetos e os espaços de consumo tratados no excerto se relacionam, dentre outros fatores, com

  1. a reprodução do capital e as estratégias de controle do mercado.
  2. a acumulação de bens de produção e a revolução tecnológica nas indústrias.
  3. a redistribuição de renda e a aplicação de técnicas do geomarketing.
  4. o artifício da obsolescência programada e a função social da propriedade.
  5. o superávit das balanças comerciais e as políticas de compartilhamento de produtos.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O excerto mostra como a familiaridade e o brilho dos espaços de consumo tornam difícil enxergar o que está oculto: as "zonas de sombra" que revelariam a essência social dos objetos.

A referência às "intencionalidades dos objetos" aponta para a reprodução do capital: as mercadorias são produzidas, valorizadas e expostas de modo a garantir acumulação e extração de mais‑valia, mesmo quando esse processo não é aparente no cotidiano.

Os efeitos luminosos e a sedução do ambiente evocam as estratégias de controle do mercado: merchandising, publicidade, design e gestão espacial que moldam desejos, ocultam custos sociais e naturalizam relações de produção (fetichismo da mercadoria).

Portanto, objetos e lugares de consumo são analisados como mecanismos do capitalismo que asseguram a reprodução do capital por meio de estratégias simbólicas e espaciais de controle do mercado.

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