Questão FC228357
A compreensão dada na reforma [de 1971] à educação geral e à formação especial foi um dos aspectos mais inovadores e polêmicos. O tema da educação para o trabalho no ensino médio v
Princípios de Sociologia
FGV · 2025
A compreensão dada na reforma [de 1971] à educação geral e à formação especial foi um dos aspectos mais inovadores e polêmicos. O tema da educação para o trabalho no ensino médio vinha sendo defendido por um grande número de educadores brasileiros de várias posições políticas e ideológicas. Mas o modo como a reforma tratou o problema foi inusitado seja pela radicalidade das proposições, seja pela arbitrariedade como elas foram implantadas. A noção de humanismo adquiria uma nova conotação. Na visão dos educadores que conceberam a reforma, essa noção incorporava as referências do desenvolvimento científico e tecnológico e se traduzia no currículo como educação geral e formação especial. Essa terminalidade estava pressuposta, indicando que a reforma previra a adequação do sistema educacional à realidade do trabalho vivenciada por estudantes das camadas populares.
(Rosa Fátima de Souza. História da organização do trabalho escolar e do currículo no século XX, 2008. Adaptado.
Considerando a educação escolar vinculada à organização social e política de uma nação, a referida reforma
- buscou articular formação humanista e técnica com vistas à emancipação dos estudantes, respeitando suas realidades socioculturais.
- representou uma resposta democrática a demandas educacionais plurais, priorizando a formação integral e autônoma dos jovens.
- propôs um currículo flexível, que incentivava a reflexão crítica e ampliava as possibilidades de acesso ao ensino superior.
- incorporou uma concepção progressista de humanismo, aliando tecnologia, ciência e cidadania em prol da justiça social.
- enquadrou a escolarização às exigências de produtividade e eficiência, restringindo a formação crítica e reforçando desigualdades sociais.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A alternativa destaca que a reforma de 1971 enquadrou a escolarização nas necessidades do sistema produtivo, priorizando produtividade e eficiência em detrimento de objetivos formativos mais amplos.
Ao adotar a distinção entre educação geral e formação especial (terminalidade), a reforma institucionalizou a educação para o trabalho, formatando currículos voltados para competências técnicas imediatas.
Esse enfoque tecnicista reduziu espaços para a formação crítica — reflexão cidadã, análise social e autonomia intelectual — e favoreceu a segmentação dos percursos escolares.
Na prática, a articulação entre escola e demandas econômicas contribuiu para a reprodução social, reforçando desigualdades sociais ao direcionar estudantes de camadas populares para trajetórias profissionais limitadas.
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