Questão FC228493
Na primeira década dos anos 2000, refletindo sobre as condições de encarceramento nos Estados Unidos, o sociólogo Loïc Wacquant afirma que A irresistível ascensão do Estado penal n
Cultura e Sociedade
CESGRANRIO · 2024
Na primeira década dos anos 2000, refletindo sobre as condições de encarceramento nos Estados Unidos, o sociólogo Loïc Wacquant afirma que
A irresistível ascensão do Estado penal nos Estados Unidos durante as três últimas décadas não é uma resposta ao aumento da criminalidade – que permanece praticamente constante [...] – mas sim aos deslocamentos provocados pela redução de despesas do Estado na área social e urbana e pela imposição do trabalho assalariado e precário como nova norma de cidadania para aqueles encerrados na polarizada estrutura de classes.
WACQUANT, L. Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos [a onda punitiva] 3.ed. Rio de Janeiro: Revan, 2018. p. 15. Adaptado.
O trecho acima, em analogia com a realidade brasileira, permite concluir que o aumento agudo da população carcerária
- explica-se pelo aumento relativo e proporcional da criminalidade, considerando em especial crimes contra a vida e o patrimônio, como latrocínio e homicídios.
- justifica-se pelo aprimoramento dos mecanismos de segurança pública como um todo, e vem acompanhado de uma sensação crescente de segurança pela população.
- relaciona-se à precarização das relações de trabalho e ao retraimento das políticas públicas de proteção, historicamente associadas ao Estado de bem-estar social.
- deve-se a desvios individuais e singulares de sujeitos cuja formação ética e moral destoa dos valores partilhados pela sociedade, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil.
- revela-se como uma política pública eficaz e republicana, na medida em que retira do convívio social pessoas que evidentemente não se adequam à normatização da vida pacífica e civilizada.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Precarização das relações de trabalho e retraimento das políticas públicas explicam o aumento da população carcerária na leitura de Loïc Wacquant. Ele argumenta que, em vez de responder a mais crime, a expansão do Estado penal é efeito da retirada de proteção social e da imposição do trabalho assalariado precário como critério de cidadania.
Quando o Estado de bem‑estar recua, cresce a vulnerabilidade de parcelas populares: desemprego, informalidade e exclusão tornam-se normais. Em vez de políticas compensatórias, o aparelho punitivo é ampliado para controlar esses “excedentes” sociais, promovendo a criminalização da pobreza.
Na analogia com o Brasil, a combinação de flexibilização laboral e cortes em proteção social aumenta a exposição à repressão penal, tornando plausível relacionar o crescimento carcerário ao desmonte das garantias sociais e à desigualdade de classes.
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