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Questão FC228502

A “sociedade de consumidores” é um tipo de sociedade que “interpela” seus membros (ou seja, dirige-se a eles, os saúda, apela a eles, questiona-os, mas também os interrompe e “irro

Cultura e Sociedade

VUNESP · 2025

A “sociedade de consumidores” é um tipo de sociedade que “interpela” seus membros (ou seja, dirige-se a eles, os saúda, apela a eles, questiona-os, mas também os interrompe e “irrompe sobre” eles) basicamente na condição de consumidores. Ao fazê-lo, a “sociedade” (ou quaisquer agências humanas dotadas de instrumentos de coerção e meios de persuasão ocultos por trás desse conceito ou imagem) espera ser ouvida, entendida e obedecida. Ela avalia – recompensa e penaliza – seus membros segundo a prontidão e adequação da resposta deles à interpelação.

 

(Zygmunt Bauman, Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria, 2022. Adaptado)

 

Para Bauman, a interpelação consumista tem como principal consequência

  1. aperfeiçoar a tecnologia industrial para aprimorar seus produtos.
  2. beneficiar os ganhos do setor industrial em benefício da sociedade.
  3. aquecer o mercado de consumo em benefício da economia local.
  4. transformar o desempenho consumista em fator de estratificação.
  5. promover a geração de empregos no setor produtivo e de serviços.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Interpelação consumista, para Bauman, passa a orientar não só desejos, mas a própria avaliação social dos indivíduos. Ao serem continuamente chamados a responder como consumidores, as pessoas têm seu comportamento convertido em critério de juízo: quem consome "certo" é valorizado; quem não acompanha, é penalizado.

Assim, o desempenho consumista — visibilidade do consumo, estilo de vida, capacidade de aderir às tendências — torna-se um fator de estratificação. Em vez de apenas distinguir gostos, o consumo funciona como mecanismo de inclusão e exclusão, distribuindo recompensas simbólicas e materiais que definem posições sociais.

Em suma, a interpelação transforma escolhas privadas em indicadores públicos de status, institucionalizando a desigualdade por meio da lógica do mercado e da imagem.

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