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Questão FC228521

Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória

Globalização

VUNESP · 2025

Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado em uma virtude e em um dever públicos, e por afastar da comunicação pública qualquer coisa que resista a ser reduzida a confidências privadas, assim como aqueles que se recusam a confidenciá-las. Como Jim Gamble, diretor de uma agência de monitoramento de rede, admitiu ao jornal britânico The Guardian, “ela representa tudo aquilo que se vê no playground – a única diferença é que nesse playground não há professores, policiais ou moderadores que fiquem de olho no que se passa”.

(Zygmunt Bauman, 2022. Adaptado)

 

Na passagem, Zygmunt Bauman problematiza

  1. o uso inadequado e sem regulação de tecnologias de comunicação.
  2. as práticas de consumo irresponsável de adolescentes europeus.
  3. a propagação proposital de desinformação nas redes sociais.
  4. o impacto ecológico do descarte de equipamentos tecnológicos.
  5. a falta de transparência dos algoritmos das redes sociais digitais.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Bauman problematiza o uso inadequado e sem regulação das tecnologias de comunicação ao mostrar adolescentes transformados em "confessionários eletrônicos": práticas que tornam a exposição do íntimo uma norma social.

Ao falar de uma sociedade confessional que elimina a fronteira entre privado e público, o autor evidencia como plataformas digitais incentivam a tornar o pessoal em espetáculo, convertendo a revelação em virtude e obrigação.

A comparação com o playground sem "professores, policiais ou moderadores" ressalta a ausência de moderação institucional e regulatória, o que amplia riscos à privacidade, à autonomia e ao bem-estar dos jovens.

Assim, a passagem indica preocupações éticas e sociais relacionadas ao uso desregrado das tecnologias e aponta a necessidade de regulação e educação digital.

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