Questão FC228521
Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória
Globalização
VUNESP · 2025
Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado em uma virtude e em um dever públicos, e por afastar da comunicação pública qualquer coisa que resista a ser reduzida a confidências privadas, assim como aqueles que se recusam a confidenciá-las. Como Jim Gamble, diretor de uma agência de monitoramento de rede, admitiu ao jornal britânico The Guardian, “ela representa tudo aquilo que se vê no playground – a única diferença é que nesse playground não há professores, policiais ou moderadores que fiquem de olho no que se passa”.
(Zygmunt Bauman, 2022. Adaptado)
Na passagem, Zygmunt Bauman problematiza
- o uso inadequado e sem regulação de tecnologias de comunicação.
- as práticas de consumo irresponsável de adolescentes europeus.
- a propagação proposital de desinformação nas redes sociais.
- o impacto ecológico do descarte de equipamentos tecnológicos.
- a falta de transparência dos algoritmos das redes sociais digitais.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Bauman problematiza o uso inadequado e sem regulação das tecnologias de comunicação ao mostrar adolescentes transformados em "confessionários eletrônicos": práticas que tornam a exposição do íntimo uma norma social.
Ao falar de uma sociedade confessional que elimina a fronteira entre privado e público, o autor evidencia como plataformas digitais incentivam a tornar o pessoal em espetáculo, convertendo a revelação em virtude e obrigação.
A comparação com o playground sem "professores, policiais ou moderadores" ressalta a ausência de moderação institucional e regulatória, o que amplia riscos à privacidade, à autonomia e ao bem-estar dos jovens.
Assim, a passagem indica preocupações éticas e sociais relacionadas ao uso desregrado das tecnologias e aponta a necessidade de regulação e educação digital.
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