Questão FC228585
Um empregador “ponto com” pode comentar, com aprovação, sobre um empregado: “Ele é um chateação zero”, querendo dizer que ele está disponível para assumir atribuições extras, respo
Trabalho e Sociedade
VUNESP · 2025
Um empregador “ponto com” pode comentar, com aprovação, sobre um empregado: “Ele é um chateação zero”, querendo dizer que ele está disponível para assumir atribuições extras, responder a chamados de emergência, ou ser realocado a qualquer momento. Morar a alguma distância do emprego e/ou carregar o peso de uma mulher ou filho aumentam o “coeficiente de chateação” e reduzem as chances de emprego do candidato. O empregado ideal seria uma pessoa sem vínculos, compromissos ou ligações emocionais anteriores, e que evite estabelecê-los agora; uma pessoa pronta a assumir qualquer tarefa que lhe apareça e preparada para se reajustar e reacomodar de imediato suas próprias inclinações; uma pessoa acostumada a um ambiente em que “acostumar-se” é algo malvisto e, portanto, imprudente; além de tudo, uma pessoa que deixará a empresa quando não for mais necessária, sem queixa nem processo.
(Zygmunt Bauman, 2022)
No excerto, aponta(m)-se criticamente
- a conceção de regalias que comprometem o lucro da empresa.
- a irresponsabilidade profissional das novas gerações.
- a falta de adaptabilidade de profissionais das novas tecnologias.
- as vantagens profissionais de pessoas altamente qualificadas.
- as formas de exercício da mais-valia no capitalismo digital.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O excerto critica como, no capitalismo digital, se organiza a extração da mais-valia por meio da precarização e da exigência de disponibilidade permanente.
Ao valorizar candidatos sem vínculos e prontos a aceitar horas extras, realocações e chamados, o empregador transfere para o trabalhador a gestão do seu tempo de vida, ampliando o tempo útil ao capital sem remuneração correspondente.
Além disso, essa lógica explora o trabalho imaterial/afetivo — prontidão, mobilidade, adaptação — e externaliza custos de reprodução (família, moradia), reduzindo salários indiretos e intensificando a extração de mais-valia.
Em suma, Bauman denuncia formas contemporâneas de apropriação do trabalho pelo capital digital: flexibilidade como mecanismo de exploração.
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