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Questão FC228636

Ao construir o diálogo entre as duas personagens, a ativista e a defensora da deliberação democrática, Iris Marion Young (2014) se interroga sobre a atribuição de gênero às persona

Gênero e Sexualidade

VUNESP · 2025

Ao construir o diálogo entre as duas personagens, a ativista e a defensora da deliberação democrática, Iris Marion Young (2014) se interroga sobre a atribuição de gênero às personagens dos textos: “No esforço para associar às personagens uma sensação corporificada, atribui pronomes de gênero específicos a cada uma delas. Essa decisão revela um dilema perturbador: elas devem ser ambas do sexo masculino, ambas do sexo feminino ou um homem e uma mulher? Decidir que uma deve ser homem, e a outra, mulher, só aumenta o dilema: qual delas deve ser o quê? Ao experimentar cada opção, descubro que minha atribuição evoca estereótipos indesejáveis de qualquer maneira”. A solução da autora, mesmo reconhecidamente parcial, foi atribuir à personagem ativista pronome masculino e à democrata deliberativa, pronome feminino.

 

A justificativa dessa escolha foi

  1. realçar a necessidade da presença masculina em processos de deliberação racional.
  2. dar o devido destaque à associação de mulheres a espaços instituídos de poder.
  3. evidenciar o papel da calma e do autocontrole nos enfrentamentos ativistas.
  4. salientar o papel da força física masculina em situações de confronto ativista.
  5. enfatizar a relevância da racionalidade em processos de deliberação democrática.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Dar o devido destaque significa tornar visível a relação entre gênero e posições de autoridade: ao atribuir o pronome feminino à defensora da deliberação, a autora enfatiza a presença e a relevância das mulheres nos espaços instituídos de poder, como assembleias, conselhos e instâncias públicas de decisão.

Essa opção não é neutra; é uma estratégia deliberada para questionar a invisibilidade ou a marginalização histórica das mulheres nessas esferas e para provocar reflexão sobre quem é reconhecido como legítimo interlocutor nas práticas deliberativas.

Ao destacar essa associação, Young pretende revelar e confrontar estereótipos e expectativas de gênero, mostrando que a distribuição de papéis políticos é construída socialmente e pode (e deve) ser repensada.

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